Viés de baixa vence semana turbulenta
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Agência Folha 
Depois de uma semana turbulenta, o mercado de renda fixa sinalizou ontem que acredita na palavra do governo de que os juros manterão a tendência de queda, chamada pelo governo de viés de baixa. No mercado DI (contratos futuros lastreados em depósitos interfinanceiros), os juros projetados para junho (contratos com vencimento em julho) ficaram em 21,97% ao ano.
O índice foi o menor da semana e registrou queda de 0,44 ponto percentual em relação a ontem. Os juros de mercado estão em 23,5% ao ano, valor decidido pelo Copom (Comitê de Política Monetária) no dia 19.
Os investidores apostavam que não ocorreria outra queda tão cedo. Antes do dia 19, por exemplo, enquanto os juros estavam em 27%, o DI era projetado em até 21,96%. Nesta semana, com juros em 23,5%, o DI atingiu 23,1%, uma diferença pequena.
O governo teve de cancelar um leilão de títulos prefixados (no dia 20) e de aceitar juros médios de 24,57% em outro (na terça-feira) devido ao comportamento oscilante do mercado. Três fatores provocaram a instabilidade: o temor de que o peso (moeda argentina) estivesse sofrendo um ataque especulativo, o receio de que os juros fossem subir nos EUA e o enfraquecimento político do presidente FHC, por causa das gravações envolvendo-o no leilão da Telebrás.
Ontem o presidente do BC, Armínio Fraga, afirmou que a tendência de baixa será mantida. Mais tranquilo, o mercado concordou. Os números da inflação estão bons, permitindo a redução. Com o câmbio liberado, o dólar absorve a oscilação externa. Os juros devem ficar atrelados ao comportamento interno, disse Joaquim Kokudai, diretor do Lloyds Bank.


