A população brasileira com mais de 60 anos aumentou de 19,7 milhões em 2007 para 21 milhões em 2008. No mesmo período, o índice de idosos que continuavam ativos no mercado de trabalho passou de 30,6% para 31,1%. No Paraná, esta taxa fica acima da média nacional: 36,3% (em 2008). Os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram um país envelhecendo com boa parte das pessoas adiando a aposentadoria. O mercado, porém, precisa se preparar para atender as necessidades de consumo desse público.
O economista Robson Gonçalves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirma que o Brasil passa pela conclusão do processo conhecido por transição demográfica, onde a população para de crescer e a expectativa de vida aumenta - em dez anos (entre 1998 e 2008) passou de 69,7 anos para 72,7 anos.
''Até 2035 a população brasileira não estará crescendo mais. A parcela dos idosos da população tende a aumentar. A representação (populacional), então, deixa de ser pirâmide para ser cilindro'', observa o economista.
Os idosos estão se aposentando mais tarde. ''Este é um processo em curso no Brasil: mesmo após começar a receber o benefício do INSS, muitos optam por continuar trabalhando para complementar a renda. Com isso, aumenta o poder de compra dessa camada da população. São pessoas que têm renda e necessidades específicas'', avalia Gonçalves.
O maior impacto do poder de consumo desse público, segundo ele, é a demanda por serviços. Na análise do economista, as pessoas com mais de 60 anos que continuam na ativa precisam de empregada doméstica - para manter a casa enquanto trabalham - e cuidados específicos com a saúde. ''Esses cuidados vão além do chazinho e dos remédios caseiros. Neste sentido, a maior demanda hoje é por serviços preventivos de saúde'', observa.
O lazer e o entretenimento também são prioridades para os consumidores idosos. Na lista entram, por exemplo, TV por assinatura e viagens de férias. ''Nos países ricos já são comuns as agências de turismo voltadas para esse público'', repara. O mercado brasileiro, porém, não está preparado para atender a demanda dos consumidores acima de 60 anos. ''Ainda existe falta de percepção'', diz.
Conforme o economista, empresas e profissionais liberais que investirem nesse público só têm a ganhar. Ele cita como exemplo o profissional de fisioterapia, que tem como importante foco de especialização hoje a melhoria da qualidade de vida dos idosos. Segundo Gonçalves, cresce a necessidade pelo atendimento individualizado. ''É um público que talvez não queira frequentar a academia ou a sala de ginástica do prédio''.
Inclusão
Sinais dessas mudanças na sociedade, conforme o professor da FGV, podem ser vistos nas chamadas iniciativas de inclusão. Ele repara que os estacionamentos de shoppings e grandes redes, por exemplo, já destinam vagas para os idosos - a legislação prevê que 5% das vagas em estacionamentos públicos e privados sejam reservadas para este público.
Como ação de responsabilidade social, algumas empresas investem na contratação de idosos, aumentando as oportunidades de trabalho para esta camada da população. ''É outra iniciativa de inclusão. Atende o anseio dessas pessoas de continuar trabalhando'', observa Gonçalves. ''Eu mesmo vi recentemente um laboratório (em São Paulo), cujo atendimento ao público (na recepção) era feito por funcionários com mais de 60 anos. Além de experiência, essas pessoas geralmente têm mais calma, tranquilidade''.
O Brasil, na avaliação do economista, já avança no sentido de conviver melhor com os seus idosos. ''As iniciativas de inclusão vão muito além dos bailes de terceira idade'', afirma.

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