O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, rebateu ontem as críticas do presidente Fernando Henrique Cardoso à posição da entidade. Segundo ele, FHC precisa se acostumar a ouvir posições diferentes das apresentadas pelos ‘‘puxa-sacos’’. ‘‘O presidente precisa se acostumar a ouvir posições diferentes, porque se ficar ouvindo aqueles que lhe puxam o saco, vai afundar o Brasil e prejudicar o nosso povo’’, disse Vicentinho.
Vicentinho reagiu também com ironia ao comentário de FHC sobre o ‘‘imobilismo’’ de entidades e parlamentares que representam os sindicatos e que agem como se ainda estivessem no ‘‘pior’’ período da ditadura militar (1964-1985) e do governo Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54). ‘‘A CUT foi uma das primeiras centrais sindicais do País, foi fundada inclusive na ditadura militar. Então, nesse argumento (de FHC) o povo não acredita porque, além de (o argumento) ser desonesto, é inócuo’’. Vicentinho criticou o governo e sua relação com a Força Sindical, afirmando que existe ‘‘uma relação promíscua’’.
O presidente da Força Sindical, Luiz Antônio de Medeiros, preferiu elogiar ‘‘os avanços’’ da CUT. ‘‘A CUT melhorou muito, sem tirar a liberdade do trabalhador.’’ Medeiros retribuiu os elogios de FHC à Força Sindical, ressaltando as vantagens da sanção do contrato de trabalho e defendendo que o governo se mantenha fora das negociações entre empregados e empregadores.
Hoje FHC recebe os representantes da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A audiência foi prometida há um mês e os sindicalistas pretendem sugerir o retorno das câmaras setoriais e a diminuição da cobrança do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializado) e dos juros.

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