Vicente Matheus 'previu' acordo há mais de 20 anos
Liliana Pinheiro
Agência Estado
As duas centenárias cervejarias brasileiras, autodenominadas de a melhor cerveja do Brasil (Antarctica) e a número 1 (Brahma), tomaram a decisão de se fundir e com isso tornaram obsoletas brigas históricas entre amigos, casais e famílias sobre qual seria a melhor.
Entre a Antarctica Faixa Azul e a Brahma Chopp - os produtos básicos das duas marcas e encontrados em qualquer boteco do País - nunca houve consenso fácil. A não ser na cabeça do falecido presidente do Corinthians, Vicente Matheus, a quem foi atribuída a frase: Quero agradecer à Antarctica pelas Brahmas que mandou para a nossa festa. Vista de hoje, essa gafe, que tem cerca de 20 anos, mais parece coisa de um visionário do que de um folclórico corintiano.
Por critérios objetivos, que não passem pela leveza, cor ou sabor das cervejas, há algumas comparações possíveis. Em antiguidade, a Brahma vence. Foi fundada em 1888 pelo engenheiro suiço Joseph Villiger.
Chamava-se então Manucfatura de Cerveja Brahma. Em mistério, a empresa também vence. Muito mais tarde, foi vendida a outro dono e depois negociada na bolsa. E por mais pesquisas que a companhia fizesse, ninguém nunca conseguiu explicar as razões da escolha do nome.
Por que Brahma, esse deus da Índia, personaficação do absoluto e criador do mundo, aportou na São Paulo do fim do século passado? E por que se tornou tão popular, a ponto de o dicionário Aurélio registrar a palavra brama (sem o h) como sinônimo de qualquer cerveja? E por que escolheu o slogan a número 1, em 1989, quando era segunda colocada no mercado?
A Antarctica apareceu um pouco mais tarde, em 1891. Foi criada por um grupo de paulistas e imigrantes e também tem seus mistérios. Por exemplo, como sobreviveu, a partir de 1990, quando todo tipo de modernidade em matéria de gestão de negócios chegou ao Brasil? A empresa, na contra-mão de tudo o que se pregava, manteve-se com uma administração do tipo colegiada, com capital controlado rigidamente por uma fundação que também tinha caráter beneficente.
Mas, para os seguidores da cerveja Antactica, isso nunca importou. O nome, referência à zona glacial do polo Sul, sempre foi sinônimo não de empresa, com seus lucros e prejuízos, mas de cervejaria que oferecia a maior gama opções da bebida: da leve Bohemia à histórica Original, e, claro, à básica Faixa Azul.





