Curitiba - O secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, esteve esta semana em Brasília em busca de socorro econômico para os produtores de leite do Paraná. Ele se reuniu com representantes da Câmara Técnica do Leite e participou da elaboração de um documento que foi entregue ontem ao Ministério da Agricultura.
Desde agosto do ano passado, o preço do leite tem caído sistematicamente devido a oferta maior do produto nesse período do ano, em que as pastagens ficam mais abundantes por causa do verão. A situação de crise se agravou por conta das notícias do pedido de concordata da Parmalat na Itália, depois da descoberta de um escândalo de fraude contábil na empresa. Cerca de 2 mil funcionários da fábrica da Parmalat em Carambeí (20 quilômetros ao norte de Ponta Grossa) demonstraram a preocupação em manter os empregos mesmo diante da crise econômica da fábrica.
A Parmalat nega que a crise italiana afetará o mercado brasileiro, onde possui oito fábricas. Pessuti concorda. De acordo com ele, a crise do leite é sazonal. Os preços despencariam mesmo sem a concordata da Parmalat. ''Tudo não passa de especulação orquestrada pelos setores da indústria e varejo. Querem aproveitar o momento de oferta do leite para vincular a queda do preço à crise da Parmalat. O que o governo tem que fazer agora é salvaguardar o mercado interno'', apontou o secretário.
Ontem, a Câmara Técnica do Leite enviou ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, uma carta pedindo que sejam liberados os recursos do Empréstimo do Governo Federal (EGF) para que as cooperativas possam aplicar recursos na estocagem do produto. Também está sendo reivindicada a compra do excesso de leite brasileiro pelo governo federal (para escolas, nas merendas, por exemplo) para diminuir a oferta do produto e recuperar o preço de mercado. Os produtores aguardam para segunda-feira uma resposta por parte do governo federal.

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