Vice defende mudança no regime de juros
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segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Nilson Brandão Junior<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O Brasil precisa trocar o atual regime de juros que ''pretende achatar o consumo para combater a inflação'' e partir para uma alternativa que reduza o custo de capital e favoreça o setor produtivo. A opinião foi dada ontem pelo vice-presidente da República, José Alencar, que voltou a criticar o nível dos juros no País, na véspera do primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
''Normalmente não critico as decisões do Copom. É um órgão eminentemente técnico. O que nós queremos é uma mudança da filosofia brasileira de regime de juros'', afirmou, pouco depois de participar da abertura da Expo Abras, feira anual da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), no Rio (leia matéria na página 3). Alencar também comentou que ''o Brasil é um País de 'subconsumo' e não se pode achatar o consumo de quem não consome''.
Para ele, o País precisa de uma ''política diferente de combate à inflação''. ''Ou seja, deixar o Brasil crescer na produção com custo de capital mais econômico para que as atividades produtivas possam ser mais competitivas e vender produtos cada vez mais baratos para a população'', argumentou.
O vice-presidente evitou fazer um prognóstico sobre a decisão que o Copom deverá tomar amanhã. Hoje, ocorre o primeiro dia de reunião. ''A decisão do Copom está embasada em uma filosofia de política monetária que provavelmente leve a mexer na taxa de juros para cima ou para baixo. O que digo é que precisamos nos conscientizar de que o Brasil precisa alterar este regime de juros'', afirmou.
Citando um estudo da consultoria GlobalInvest, que mostra que o Brasil lidera o ranking global de taxa real básica (Selic menos a inflação em 12 meses), em torno de 9,5%, Alencar argumentou que as atividades produtivas não têm como contrair financiamentos para suas expansões, ao contrário do que ocorre em outros países.
''No exterior, as empresas trabalham com grau de endividamento de 80% e se viabilizam, porque as taxas são outras. Isso (o juro alto) perturba o desenvolvimento'', afirmou. Alencar qualificou como ''um despropósito'' as taxas de juros com que o País tem rolado suas dívidas. E informou que, para fazer face ao pagamento dos juros da dívida pública, foram gastos R$ 145 bilhões no ano passado.
Presente ao evento, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Luiz Fernando Furlan, preferiu não fazer comentário sobre juros.


