Viaje e não volte com dívidas na mala
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domingo, 01 de julho de 2012
Marian Trigueiros <br> <br> Reportagem Local 
As férias de julho são muito aguardadas pelos jovens que estão em fase escolar, principalmente àqueles ávidos por realizar a viagem dos 15 anos para o exterior. Nessa época do ano, o nordeste também está na rota de muitas famílias e todo planejamento é fundamental para que a viagem dos sonhos não se torne um pesadelo no retorno. Especialistas alertam que antes de arrumar as malas, é preciso ter em mente que uma viagem contempla vários aspectos, que vão além do valor da passagem e hospedagem.
Reinaldo Domingos, educador financeiro e autor do livro ''Livre-se das dívidas'', diz que as férias devem ser vistas como qualquer outra aquisição, como um carro, por exemplo. ''Primeiramente, devemos ter consciência de que este sonho tem um custo, portanto, é preciso ter planejamento para não acabar com uma dívida que não poderá pagar e ficar inadimplente'', alerta.
A primeira coisa a se fazer, conforme ele, é definir a situação financeira. ''O primeiro passo é traçar um diagnóstico financeiro, que pode ser endividado, equilibrado financeiramente ou inadimplente. As duas primeiras situações são possíveis de arcar com mais despesas, desde que tenha reserva a não comprometer o orçamento fixo. Se já estiver inadimplente, me desculpe, mas é melhor adiar o sonho.''
Caso a viagem seja viabilizada, o segundo passo é reservar de 20% a 30% a mais dos gastos previstos. ''Quando se está fora de casa, é normal que desejemos fazer compras que não estavam no cronograma. E, no caso de estar em outro país, às vezes vale a pena adquirir um produto por causa do valor'', comenta o educador. A compra, por sua vez, deve ser feita com cautela e, de preferência, à vista, em decorrência da conversão da moeda no pagamento da fatura.
Professor de finanças da Universidade Estadual de Ponta Grossa e da Isae-FGV, Osvaldo Malta Callegari, ratifica que o planejamento é inevitável. ''Antes de qualquer decisão é necessário saber qual o tamanho do gasto e a origem do recurso para este gasto. Lembrando que absolutamente tudo deve ser incluso neste 'estudo', até mesmo os possíveis imprevistos, documentação, e não só o deslocamento e estadia'', diz. As 'escapadas' de gastos precisam ser considerados, pois, ''seguramente vai acontecer.''
No caso de não haver uma reserva, Callegari explica que a fonte de recurso deve ser avaliada com cautela. ''As parcelas da viagem devem ser contabilizadas no orçamento junto com todas as despesas da casa. Quando as pessoas estão de férias, até mesmo pelo relaxamento, esquecem de que tudo vai sair de um mesmo recurso, provavelmente de um salário'', alerta o professor.
E, se mesmo com o planejamento os gastos saírem do controle, Callegari aconselha que a pessoa faça um levantamento do tamanho da dívida o quanto antes e sua composição. ''Essa medida pode ser tomada em qualquer situação de inadimplência. Dessa forma, liquidar o cartão com as taxas mais altas, por exemplo, com a aquisição de um crédito pessoal.'' O ideal para que isso não aconteça, conforme ele, é que o brasileiro pare de comprometer sua renda a médio e longo prazo.



