Viajar ao exterior requer cautela contra imprevistos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de março de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Conhecer um outro País é sempre uma experiência excitante. Quando a viagem é bem sucedida a satisfação é maior ainda. Mas, imprevistos podem acontecer a qualquer momento. O universitário Christiano Emanuel Amarante Cidade, 25 anos, é um dos milhares de brasileiros que, todos os anos, se aventuram em terras estrangeiras. Até hoje, ele não consegue esquecer os oito meses que viveu em Madri (capital da Espanha) no ano de 2000.
Infelizmente, para ele, as lembranças não são tão boas. A empresa que deveria trazê-lo de volta ao Brasil fechou seus escritórios no exterior justamente quando ele pretendia marcar seu retorno. ''O próprio gerente da Vasp deixou a Espanha a bordo de um avião de outra companhia aérea'', comentou.
Christiano contou que ele e um amigo compraram um pacote turístico para Madri com direito às passagens e oito dias num hotel. Cada um teria pago à agência Continental Tur, de Londrina, metade do valor à vista e a outra parte em quatro cheques pré-datados. Ambos consideravam a possibilidade de passar mais tempo por lá, já que as passagens valiam por três meses.
Segundo ele, o problema surgiu um mês após a data de embarque. ''Sabíamos que teríamos de pagar US$ 150 de multa por viajarmos fora do prazo, mas não esperávamos por essa surpresa. O problema foi que a operadora e a empresa aérea não nos ajudaram'', garante. Revoltado com a situação e sem o que aconteceria dali para frente, sua primeira decisão foi retirar todo o dinheiro que tinha no banco. Com isso, voltaram não apenas os três cheques que ainda restavam do pacote, mas também um outro de R$ 1,5 mil que lhe custou um registro no Serasa.
A CVC Turismo nega essa versão. De acordo com a supervisora do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) Roberta Godoy, o primeiro contato que o universitário fez com a operadora foi em fevereiro do ano passado. Ele afirmava que pagaria sua dívida e queria informações para conseguir os cheques devolvidos. A agente de turismo Silvana Maria Schnoor, da Continental Tur, disse que teria eles se tivessem manifestado interesse. ''Pelo que eu sei, eles negociaram diretamente com a CVC, em São Paulo'', argumentou.
Segundo Christiano, seu amigo voltou porque uma outra empresa aérea resolveu assumir sua passagem, mas o mesmo não aconteceu com ele. Graças aos conhecimentos que fez por lá, ele conseguiu um emprego na construção civil de onde tirou o sustento e mais US$ 400 para voltar ao Brasil. ''Na Espanha, fui discriminado por ser brasileiro. Aqui, sou discriminado porque não tenho o nome limpo. O pior nisso tudo é saber que não tive culpa de nada''.
Esta semana, ele pagou à CVC R$ 2.290,00 referentes aos três cheques devolvidos. Agora, sua intenção é abrir um processo contra a operadora e a Vasp por danos morais e materiais. Na opinião do coordenador do Procon em Londrina, Tito Valle, Christiano tem esse direito e boas chances de conseguir seu objetivo.


