Viagens corporativas caem pela primeira vez em dez anos
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domingo, 21 de fevereiro de 2016
Rafael Fantin<br>Reportagem local 
Após nove anos de crescimento nas receitas, o setor de viagens corporativas registrou queda de 3,60% em 2015, a primeira na década, apesar da movimentação financeira de R$ 38,7 bilhões somada em diferentes segmentos, entre eles, transportes, hospedagem e alimentação. A informação foi divulgada na última semana pela Associação Latino-Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) e integra a 10ª edição da pesquisa "Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas".
De acordo o presidente da associação, Eduardo Murad Júnior, os dois anos anteriores registraram incrementos nas receitas de pelo menos 9,2%, no entanto, a redução já era esperada em 2015, com base em indicadores das áreas que compõem a rede do turismo de negócios. "O setor é muito sensível e acompanha o momento econômico do País com cortes de gastos nas empresas. Mesmo assim, as viagens corporativas representam 55% do turismo no Brasil e isso não sofreu alteração", avalia. Além disso, o turismo de negócios também foi responsável pela geração de mais de 725 mil empregos diretos e indiretos em 2015, o que representa 3% a menos dos postos de trabalhos gerados no ano anterior.
Ainda segundo a pesquisa, a participação do setor aéreo nas receitas caiu de 52,81% para 44,29%, seguido da hospedagem, que aumentou o percentual na composição da receita em cinco pontos, chegando a mais de 33%. "O preço médio do bilhete aéreo caiu para atrair os usuários durante o ano passado, o que provocou a perda de receita no setor. Já os hotéis tiveram que reajustar os preços para cobrir os custos de manutenção e serviços", analisa.
Além dos eventos de negócios nos grandes centros, Murad lembra que as viagens corporativas também movimentam a economia em pequenos municípios. "Todo o deslocamento para reuniões, atendimentos técnicos ou eventos entram nas receitas do setor e movimentam a economia local", acrescenta. Sobre as perspectivas do setor para 2016, o presidente da Alagev diz que ainda não existe uma projeção, mas aposta na estabilidade com crescimento de menos de 1%.
LONDRINA
Segundo dados da Secretaria Municipal de Fazenda, houve um aumento de 14,5% na autorização para atividades econômicas temporárias em eventos em Londrina durante o ano passado. Ao todo, 315 autorizações foram concedidas pela pasta, sendo que aproximadamente 15% são para realização de eventos técnicos corporativos. O diretor presidente do Convention Bureau de Londrina, Arnaldo Falanca, afirma que o setor de turismo de negócios registra crescimento anual apesar do momento econômico. "As empresas possuem a necessidade de mostrar os produtos para um público específico e o evento ainda é a melhor opção", justifica.
De acordo com ele, a procura para realização de eventos em Londrina é maior em áreas técnicas da agropecuária por causa das características da região. Falanca lembra que cada turista gasta no Brasil cerca de R$ 320 por dia e movimenta uma cadeia de mais de 50 setores. "Durante as viagens corporativas, o viajante pede notas fiscais para comprovação de gastos e isso também gera receita para o município."
O diretor presidente também diz que existe a possibilidade de Londrina sediar pelo terceiro ano consecutivo os Jogos Escolares da Juventude, que reúne atletas de todos os estados na disputa de diferentes modalidades. "De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), R$ 9,3 milhões ficaram na cidade por causa da presença dos turistas. Para realização do evento, o investimento municipal foi de cerca de R$ 2,5 milhões", compara.
CENTRO DE CONVENÇÕES
Para atrair eventos no setor de turismo de negócios, o município de Londrina ainda procura definir uma área para construção do Centro de Convenções. Segundo o diretor de turismo do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Altemir Lopes, a prefeitura busca a aquisição de uma área de pelo menos 15 mil metros quadrados para construção do empreendimento com estrutura para promoção de eventos. "A viabilidade do Centro de Convenções já foi confirmada por um estudo. Estamos definindo o local para liberação do espaço e concessão da área para um administrador", informou.



