Viagem pelos 331 pedágios brasileiros custa R$ 1,7 mil
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terça-feira, 07 de novembro de 2006
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Sorocaba - Um usuário que viajar de automóvel passando pelos 331 pedágios instalados no Brasil vai gastar R$ 1.737,00. A mesma viagem, feita de ônibus ou de caminhão com 4 eixos, irá custar R$ 6.184,90 só de pedágio. O levantamento, feito pelo SOS Estradas, programa de redução de acidentes nas rodovias, faz parte de um estudo comparativo sobre a concessão de rodovias no Brasil e no exterior, a ser lançado em janeiro.
O coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, destaca que tais valores não são definitivos. Com a concessão de oito novos trechos de rodovias federais prevista no plano de logística de transportes do governo, serão instaladas 62 novas praças de cobrança nos próximos anos. ''O País passará a ter 393 pedágios e o custo vai aumentar.''
O pedágio brasileiro, informa Rizzotto, está entre os mais caros do mundo. Nas rodovias federais, o valor médio por km é de R$ 0,07, o mesmo cobrado nos Estados Unidos. Já nas rodovias paulistas, o preço por km sobe para R$ 0,11. O Brasil possui também a maior malha viária concedida. O objetivo do estudo é colocar em discussão as futuras concessões, já que as atuais estão ''engessadas'' pelos contratos. ''Não somos contra as concessões, mas é preciso que elas atendam o interesse público.''
Pesquisas on line feitas pela entidade com cerca de 15 mil usuários revelaram que 61% são favoráveis à concessão para a melhora das condições das rodovias, mas 92% consideram o valor do pedágio alto. E para 84%, as concessionárias não são bem fiscalizadas. Atualmente, são quase 10 mil km de rodovias concedidas, sendo 3.500 em São Paulo, 2.500 no Paraná, 2.500 no Rio Grande do Sul e 666 km no Rio de Janeiro. Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo têm pequenos trechos sob concessão.
No ranking dos pedágios, o Estado de São Paulo lidera com 159 praças, seguido do Rio Grande do Sul com 73, Paraná com 56 e Rio de Janeiro com 29. Bahia e Espírito Santo têm 4 postos cada, Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso do Sul, 2. Segundo Rizzotto, falta transparência nas concessões.
Fiscalização - ''No Estado de São Paulo, o relatório com a fiscalização das concessionárias nem aparece no site da Artesp, a agência responsável. No entanto, as notícias fazem apologia das concessões.'' Segundo ele, apesar de as concessões representarem menos de 7% do total da malha pavimentada, correspondem a 60% das rodovias com pista dupla e a 50% de todo o tráfego.
''Os novos lotes de rodovias federais e paulistas a serem entregues terão 90% de pista dupla, o que significa que o poder público concede o filé mignon e fica com o osso.''
Novas concessões - No caso das rodovias federais está prevista a concessão de oito lotes, num total de 3.080 km, entre elas a Fernão Dias (BR-381), que liga São Paulo a Belo Horizonte, e a Régis Bitencourt (BR-116), que juntas somam 967 km de pista dupla. ''Os investimentos foram feitos pelo governo federal e elas cairão prontas nas mãos das concessionárias.''
A maioria dos trechos fica nas regiões sudeste e sul. ''Não há trechos precários de rodovias do Nordeste no rol das que serão concedidas'', observa. No Estado de São Paulo, o governo entregará à iniciativa privada o sistema Trabalhadores, formado pelas rodovias Ayrton Senna, Carvalho Pinto e D. Pedro I, com 262 km, todas duplicadas. Segundo ele, 70% das concessões em São Paulo envolveram rodovias com pista dupla. ''Nos primeiros cinco anos do programa foram construídos apenas 110 km de novas estradas.''


