Viação Garcia completa 70 anos
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terça-feira, 07 de dezembro de 2004
Da Redação 
Muito antes de Londrina fazer fama como ''Capital Mundial do Café'', o setor de serviços da cidade já fazia história. E continua fazendo com uma empresa que foi fundada em janeiro de 1934. Portanto, antes mesmo da criação do próprio município de Londrina, em dezembro daquele ano.
A londrinense Viação Garcia que, assim como a cidade, está completando 70 anos e é hoje uma das mais importantes empresas de transporte rodoviário de passageiros do Paraná e do Brasil, conseguiu recentemente o primeiro lugar em uma pesquisa que mediu o nível de satisfação de passageiros de companhias de todo o País.
A pesquisa foi feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres através de sua ouvidoria e que, com base nos contatos feitos com a agência por passageiros através de telefone e internet, ouviu as opiniões de 74 mil pessoas ao longo do ano passado.
O resultado da pesquisa aponta que a filosofia de trabalho da empresa em nada difere daquela criada por seus fundadores. ''Tratamos cada passageiro como se fosse um daqueles pioneiros ansiosos e sonhadores do tempo em que começou a rodar a Catita'', garante o gerente geral da companhia, José Paulo Garcia Pedriali.
Ao citar a Catita, ele se refere ao caminhão Ford 1933 adaptado com carroceria aberta e gaiola no teto para alojar galinhas e produtos agrícolas muitas vezes recebidos como pagamento da passagem. ''Foi o primeiro ônibus da empresa, utilizado no trecho entre Londrina e o Rio Tibagi para o transporte dos pioneiros que vieram para o Norte do Paraná nos anos 30'', conta.
''O trecho tinha 25 quilômetros e era percorrido ao longo de um dia inteiro. Isso se a Catita não quebrasse ou atolasse pelo caminho'', lembra Pedriali. Em um livro do escritor Domingos Pellegrini, que conta a história da Garcia e foi publicado há 10 anos, são descritas as condições da ''estrada'' dos tempos dos pioneiros: ''A estrada era horrível. Seguia, com algumas retificações, a trilha aberta na mata pelo instinto das mulas dos agrimensores da Companhia de Terras Norte do Paraná. Ia pelos espigões, a parte mais seca dos vales, mas mesmo assim era só uma fita na mata cerrada, ensombreada e assim coalhada de longos atoleiros que demoravam dias para secar. Os ônibus atolavam até os eixos no barro. Além disso, nos dias secos a estrada era tão trepidante que os ônibus viviam enguiçando.''
Os ônibus da empresa hoje cruzam os caminhos não mais apenas do Paraná. Estão também nas estradas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A frota que começou com o caminhão Ford adaptado e teve até ônibus movido a gasogênio em função do racionamento de gasolina ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, hoje soma 540 veículos que percorrem 4,7 milhões de quilômetros a cada mês.
''Transportamos mais de um milhão de passageiros por mês entre 160 cidades de cinco estados'', informa o também gerente geral da companhia, Gustavo Garcia Cid. Ele acredita que, além da modernidade e da conservação da frota, outra característica importante da Garcia é o preparo dos 2.544 funcionários da empresa.
''Todo o nosso pessoal passa por cursos periódicos. Os motoristas, por exemplo, passam por 60 horas de treinamento antes de começar o trabalho nas estradas. Os cursos abordam desde princípios de direção defensiva a mecânica e técnicas de primeiros socorros'', descreve.


