A decisão do governo de proibir as importações de animais vivos e carne com osso da Argentina não deve afetar o mercado interno de carne, pois o volume exportado da Argentina para o Brasil é pequeno. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Departamento de Comércio Exterior (Decex) divulgados pela FNP Consultoria mostram que em 1999 o Brasil importou 1.522 toneladas de carne in natura, 3.465 t de carne sem osso, 836 t de carne congelada com osso e 3.289 t de carne congelada sem osso da Argentina. No total, as importações de carne bovina da Argentina somaram 9.112 t.
‘‘Não tenho números fechados das importações em 2000, mas a Argentina deve exportar anualmente 3.000 toneladas de carne bovina com osso para o Brasil’’, afirmou José Vicente Ferraz, analista da FNP Consultoria.
Segundo ele, um dos principais cortes importados da Argentina é a picanha, que os brasileiros conseguem comprar por preços bem abaixo dos cobrados internamente. ‘‘Por uma questão de hábito alimentar, os argentinos não apreciam picanha. Esses cortes sobram no mercado argentino e conseguimos comprar por preços mais baixos’’, disse.
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Industrializada (Abiec), Edivar Queiroz, a maior parte do que é importado da Argentina é de carne desossada. ‘‘Eu não tenho dados sobre o volume importado, mas a restrição não deve afetar o mercado interno’’, disse ele. Ontem o Ministério da Agricultura proibiu as importações de animais vivos, material de reprodução (sêmen e embriões) e carne com osso da Argentina.
Para o presidente da Abiec, Edivar Queiroz, a medida adotada ‘‘foi um procedimento normal, pois a função do governo brasileiro é evitar que o rebanho brasileiro seja contaminado com febre aftosa’’. Para ele, a imagem dos países do Mercosul no mercado mundial de carne não será prejudicada. ‘‘Os compradores entenderão que Brasil e Argentina são países distintos e que a carne produzida em algumas regiões do Brasil é segura’’, disse. Ontem, o analista Alcides Torres, da Scot Consultoria, afirmou que, desfeita a confusão geográfica, as exportações brasileiras de carne bovina devem seguir normalmente.
Sergio Penteado, da Hencorp Commcor Corretora, discorda do argumento e diz que a imagem dos países da América Latina no mercado mundial de carnes ficou arranhada depois da suspeita de focos de febre aftosa no rebanho argentino. ‘‘Os consumidores não querem saber se a carne é brasileira ou argentina. Com a notícia de possíveis focos de febre aftosa, o consumidor fica assustado e pode deixar de comprar carne bovina’’, afirmou.
Para Marcos Viela, da Safic Corretora, as atenções mundiais estão voltadas para a doença da vaca louca e os focos de febre aftosa na Argentina logo serão esquecidos. Penteado, da Hencorp Commcor, disse a febre aftosa afeta os rebanhos de animais com casco bipartido, como suínos e bovinos, mas que não há risco para a saúde humana.

mockup