São Paulo O índice de preços no varejo voltou a subir em abril, após três meses consecutivo desacelerando, segundo dados do IPV (Índice de Preços no Varejo), calculado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio).
Os preços do comércio na região metropolitana de São Paulo subiram em média 2,10% em abril, depois de apontarem alta de 1,16% em março. O índice registrado em abril é o maior para o mês desde o início do Plano Real. Em igual período de 2002, o índice havia registrado alta de 0,22%. O principal responsável pelo desempenho do IPV em abril foi o grupo vestuário, com elevação de 5,07%, a maior dentre todos os segmentos pesquisados pela Fecomercio. Os produtos alimentícios também contribuíram, com alta de 2,36%.
A elevação do vestuário ocorreu em razão da entrada da coleção outono/inverno no mercado, que chegou às lojas com preços maiores do que os da última estação. Segundo a assessoria econômica da Fecomercio, o aumento vem sob o pretexto do lançamento dessa nova coleção, como forma de recuperar perdas ocorridas com a variação cambial verificada no início deste ano.
Além disso, em períodos de inflação elevada, produtos voltados para consumo em determinada época do ano tendem a refletir uma alta causada pela sazonalidade. Apenas na última semana de abril, o segmento de vestuário registrou aumento de 9,07% nos preços em relação a igual período de março.
De acordo com a Fecomercio, a indefinição quanto à evolução das vendas e a instabilidade da inflação dificultam uma estimativa adequada de demanda por produtos. Com essa situação, as empresas são forçadas a promover constantes ajustes nos estoques, causando maior volatilidade nos preços.
Isso pode ser verificado no comportamento dos produtos alimentícios. Com a alta de abril, o segmento voltou ao patamar de fevereiro, quando teve elevação de 2,38%. Em março, havia registrado aumento de 1,27%.
Nos quatro primeiros meses do ano, o índice acumula alta de 14,17%, contra alta de 3,14% em igual período de 2002. Já nos últimos 12 meses, a taxa acumulada atinge 34,74%, um dos percentuais mais altos desde o início do Plano Real.
A assessoria econômica da Fecomercio avalia, porém, que a inflação deve retomar a trajetória de desaceleração em maio. ''A demanda, já reprimida, não dá espaço para que a taxa de crescimento continue a registrar evolução'', informou.
O IPV, medido pela Fecomercio desde 1992, é divulgado mensalmente e aponta as variações de preços de 130 a 160 produtos na região metropolitana de São Paulo. A pesquisa abrange 12 segmentos do comércio varejista.

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