Vestuário busca saída para crise
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terça-feira, 18 de março de 1997
Bete Fagundes 
Arquivo FolhaTempos difíceisCavicchioli, presidente do Sivepar: Primeiro veio a quebradeira, agora as empresas estão se segurandoO setor de confecções está passando por uma auto-análise em Londrina para ganhar forças, superar as dificuldades e avançar em outras direções do mercado com mais competência. Quem anuncia esse movimento contra a crise que abalou o setor principalmente nos últimos dois anos é o presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Paraná, José Antonio Cavicchioli.
O trabalho, segundo ele, começa com um levantamento de dados - do número de indústrias ao volume de produção, por exemplo - e termina obrigatoriamente na definição de estratégias em busca de apoio. Para reverter a situação, a indústria espera contar até mesmo com a prefeitura. Estamos trabalhando nesse projeto há cerca de 30 dias para fortalecer e incrementar a indústria, mas para isso precisamos da ajuda de entidades, bancos e órgãos públicos, afirma Cavicchioli.
O projeto do sindicato mais parece uma campanha para sensibilizar aos poucos segmentos diversos e ganhar adeptos. Cavicchioli diz que, a princípio, é o sindicato que está encabeçando o movimento, mas outros nomes vão surgindo à medida que avançamos, e contatamos órgãos, indústrias. A cada 15 dias teremos notícias, diz ele, referindo-se a esse trabalho de base que deve levar à execução de um plano, de um planejamento para a recuperação do setor.
Existe uma preocupação muito grande em salvar nosso setor, que é bastante competitivo e utiliza muita mão-de-obra, observa o presidente do sindicato. Quando ele fala em setor, é um universo de 700 indústrias em Londrina (cerca de 2.000 na região) com algo em torno de 20 mil trabalhadores.
Um setor em que todo mundo está se segurando - palavras dele. A crise nos últimos dois anos fez essa indústria de confecções demitir mais de 10 mil empregados e, consequentemente, reduzir produção e congelar preços. Num primeiro momento veio a quebradeira, explica Cavicchioli. Agora o pessoal está se segurando (segunda fase), e se não fizermos nada, a situação vai ficar ainda pior.
Um dos grandes problemas citados por Cavicchioli é a falta de financiamento específico para o setor. Inadimplência também pesa muito. Ele faz um resumo: quem não fechou, diante de tantas dificuldades se viu obrigado a demitir, reduzir produção e congelar preços, mesmo com o aumento do salário, inflação e CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira).
Empresa em dificuldade não encontra crédito fácil nem consumidor disposto a entender. É essa a questão, observa o presidente do sindicato, acrescentando que mercado para essa produção de Londrina sempre existiu. O que falta agora é retomar as rédeas. Não vai ser o estrangeiro a inviabilizar o setor; o próprio setor se inviabilizará se não tomar as devidas providências, alerta.


