Versatilidade e elegância no artesanato da Expo
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de abril de 2009
Laila Menechino<br> Especial para a FOLHA 
A 49 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina reserva encantos para todos os gostos - inclusive para aqueles que não são adeptos do estilo country, mas adoram a elegância e a simplicidade de uma feirinha de artesanato. De cores exuberantes, rústicos, brilhantes ou foscos, os produtos artesanais - feitos a mão e com exclusividade, estão expostos à venda em diversos estandes da feira. Mas, atenção, estão ligeiramente espalhadas em meio à riqueza e diversidade da Expo. A reportagem da FOLHA caminhou pelo Parque de Exposições Ney Braga e encontrou produtos delicados e originais, além de muitos artistas anônimos que transformam sementes, fibras, couros e fios em verdadeiras obras-primas.
Na Feira Sabores do Paraná, além das delícias caseiras, doces ou salgadas, os estandes dos artesãos fornecem o toque especial ao pavilhão. Com objetos de decoração, bijuterias e acessórios, os artesãos fazem sucesso, principalmente entre o público feminino.
Feitos com couro e escamas de peixes, os brincos, colares, sandálias, bolsas e necessaires são produtos feitos pela Copescarte, uma cooperativa de mulheres de pescadores de Antonina, litoral do Paraná. Há dois anos, vinte e uma marisqueiras, como são chamadas as mulheres dos pescadores, se uniram no projeto de formar a cooperativa.
Marli Henrique, coordenadora, representa as demais cooperadas em feiras de todo o Brasil. ''Eu acabei de voltar de Salvador para mostrar que tudo pode ser aproveitado, inclusive a pele do peixe. Depois de limpos e tratados, os resíduos da pesca são reciclados, em vez de jogados fora no mar'', explicou Marli. O couro e a escama são tratados e usados como matéria-prima para artefatos em geral.
Segundo ela, os produtos de couro de peixe que estão fazendo o maior sucesso na feira são as necessaires - aquelas bolsas pequenas, utensílio indispensável para viagens. Feitas de couro de abrotea e forro de cetim, custam de R$ 10 a R$ 15, dependendo do tamanho. ''O jogo de brincos com colar também está tendo boa saída'', comentou. As dicas de Marli são os colares enfeitados com escamas de tainha tingida em diversas cores e com miçangas de cascalho. Ela não pode deixar de citar os acessórios para noivas com enfeites de escama de aruanã, outra espécie de peixe.
Em frente ao espaço da Coopescart, o estande da MMGAI Ateliê, uma microempresa de um casal de artesãos de Rolândia, atuante há 9 anos, também preenche o olhar dos visitantes e se liga ao mote ecológico. Peça fina, o quadro em formato de mandala com estilo rústico possui base feita em diversas fibras e fios e decoração com sementes brasileiras, ao custo de R$ 350. ''Tudo começou pela necessidade, mas eu já trabalhava projetando e construindo móveis rústicos, então surgiu a oportunidade de utilizarmos algo que seria descartado'', conta o polivalente artesão autodidata Marcelo Rebequi. ''Além de gerar renda, há o lado da conscientização ambiental porque para ser possível a coleta e o tratamento das sementes, é preciso proteger a floresta nativa'', destaca.
Novidades trazidas pela MMGAI Ateliê são as biojoias, cujos preços variam de R$ 7 a R$ 40. As bijouterias, de acordo com Rebequi, ''precisam seguir uma harmonia agradável aos olhos e são feitas com sementes da Amazônia, só de primeira qualidade, coletadas por ribeirinhos que realizam o trabalho de forma consciente e incentivam a floresta de pé'', define. Ele ainda ressalta a exclusividade do design de cada produto. ''Já fiz um milhão de peças, mas todas são únicas, nenhuma é igual à outra'', enfatiza.


