Curitiba - Os produtos de verão estão até 10% mais caros neste ano em relação ao mesmo período do ano passado. A FOLHA realizou um levantamento com as indústrias que produzem produtos específicos para esta estação para saber quais são as expectativas de vendas, volume de produção e novidades que as fábricas prepararam para este verão. Foram consultados os setores de protetores solares, biquinis, sorvetes, refrigerantes, cerveja, água mineral, sucos, roupas e chás prontos. Apesar dos aumentos, alguns setores conseguiram manter os preços em relação a 2005. A boa notícia é que a estação também é responsável pela geração de empregos temporários nas indústrias.
Os sorvetes estarão 10% mais caros em relação ao ano passado. O primeiro vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes, Hélio Granotto Viero, disse que os insumos que apresentaram alta foram o açúcar, a gordura vegetal e o leite. Ele alertou para o alto grau de informalidade no setor que existe no Paraná e hoje chega a 70%. Segundo Granotto, hoje há cerca de 500 empresas regulares.
Ele destacou que as empresas clandestinas trazem vários riscos para o consumidor como o perigo microbiológico, ou seja, o sorvete apresentar pedaços de parafuso, madeira e insetos. Há ainda o perigo químico que seria a assepsia incorreta dos equipamentos para a produção de sorvetes. ''Já vi gente que usou soda para lavar a tina de maturação do sorvete'', disse. Além disso, as empresas irregulares não pagam impostos e não geram empregos formais.
Para o consumidor, as dicas são procurar empresas certificadas com o selo do Programa de Alimento Seguro (PAS), com licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que façam parte da Associaçao Brasileira das Indústrias de Sorvetes. Além disso, é importante comprar de empresas legalmente constituídas e jamais de ambulantes. O consumidor também deve procurar marcas reconhecidas ou tradicionais.
Os biquinis e sungas também estão cerca de 5% a 10% mais caros neste ano. Um dos insumos que teve aumento foi a lycra. Na loja e fábrica de artigos para praia e fitness Cap Ferrat, o que encareceu um pouco o preço dos produtos foi a presença de borbados e estampas nas peças, segundo a sócia-gerente da empresa, Priscilla Aguiar Villa. As roupas de primavera/verão estão até 3,5% mais caras, segundo informações do Sindicato da Indústria do Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana.
Um dos setores que pretende não repassar aumentos é o de cervejas. O superintendente do Sindicato Nacional da Cerveja (Sindicerv), Marcos Mesquita, disse que, pelo fato da competição entre as empresas ser muito grande, os preços devem ficar semelhantes ao ano passado. Ele lembrou ainda que, boa parte dos custos está atrelada ao dólar. O alumínio, usado na fabricação das latinhas, e o malte que é 70% importado, tiveram reduções com a queda do dólar. O setor pretende fechar este ano com a produção de 9,5 bilhões de litros, volume 5,5% superior ao ano passado. O Sindicerv representa seis empresas que respondem por 80% do mercado nacional - Ambev, Kaiser, Cintra, Cerpa, Colônia e Baden Baden.
A Empresa de Águas Ouro Fino também não vai repassar reajustes para o consumidor final neste ano. Isso será possível porque a companhia está tendo ganhos de produtividade, segundo o presidente do conselho da empresa, Guto Mocellin. A expectativa dele é que as vendas sejam 10% maiores em relação a mesma estação do ano passado. Entre dezembro e fevereiro, a empresa pretende vender 40 milhões de litros de água mineral. A Ouro Fino também vai contratar de 25 a 35 funcionários temporários a partir de dezembro, além dos 200 empregados que já atuam na produção. A empresa prepara um lançamento para a estação mas só vai divulgar no final de dezembro ou início de janeiro. A companhia tem fonte em Campo Largo (Região Metropolitana de Curitiba) com vazão de 520 mil litros/hora.

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