Venezuela quer equilibrar comércio com o PR
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quarta-feira, 19 de abril de 2006
Maigue Gueths Equipe da Folha 
Curitiba - A missão de 40 empresários venezuelanos que desde ontem participa de rodadas de negócios em Curitiba, veio ao Paraná com a intenção de aumentar as vendas para o Estado, segundo o vice-presidente e coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Ardisson Naim Akel. As negociações envolvem mais de 100 empresários paranaenses. A previsão inicial era que os negócios deveriam superar a marca de US$ 300 milhões.
Representando setores de serviços, plástico, transporte, alumínio, habitação popular, construção civil, alimentos e petroquímicos, os empresários venezuelanos esperam avançar nas negociações iniciadas no ano passado, quando o governador Roberto Requião visitou aquele país, criar novas parcerias e equilibrar a balança comercial.
Segundo o coordenador de Assuntos Internacionais e do Mercosul, Santiago Gallo, a balança comercial entre as partes é extremamente favorável ao Paraná. Desde 2003, as exportações do Estado para aquele país aumentaram 153%, chegando a US$ 185 milhões em 2005. Só em março deste ano as vendas do Paraná à Venezuela atingiram US$ 18 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 815 mil, o que gerou um saldo acima de US$ 17 milhões para o Estado.
O ingresso da Venezuela no Mercosul, de acordo com o vice-presidente da Fiep, Naim Akel, pode render alguns contratos de parceria com o Paraná. Como exemplo, citou o caso do alumínio. A Venezuela é um grande produtor de alumínio, mas não tem indústrias de processamento do produto. Podemos trabalhar com eles para industrializar o produto em fábricas de esquadrias, perfis, panelas, por exemplo, disse.
A agenda oficial do II Encontro Regional para Integração Paraná-Venezuela começou ontem ao meio-dia, em solenidade na sede do Centro Integrado dos Empresários e Trabalhadores das Indústrias do Estado do Paraná (Cietep), com a presença do governador Roberto Requião e do embaixador da Venezuela Julio César Garcia Montoya, entre outras autoridades e representantes do empresariado.
A missão venezuelana chefiada pelo presidente Hugo Chávez ao Paraná é um desdobramento da visita do governador e empresários do Estado, feita em novembro do ano passado à Venezuela. Na época, foram realizados 150 encontros, que resultaram em negócios no valor de US$ 300 milhões e 28 acordos de cooperação entre as partes.
Ontem, em seu discurso na abertura do evento, o embaixador Montoya, falou sobre a integração do seu país ao Mercosul e a necessidade dos países-membro buscarem compatibilidade entre suas legislações e melhores tarifas aduaneiras. Nesse sentido, Requião ressaltou a postura dos portos venezuelanos e de Paranaguá, que estabeleceram um acordo de preferência de atracação para navios dessas origens, eliminando custos portuários para as duas partes.
Requião priorizou em seu discurso, no entanto, o caráter ideológico que o levou a apostar pesado na integração entre as partes. Ele contou que em sua viagem à Venezuela, Chávez lhe falou, por exemplo, que apesar do país ser um grande produtor de petróleo, as grande multinacionais pagavam ao país a metade do valor que pagavam ao mercado internacional. Por outro lado, o comércio entre Brasil e Venezuela era praticamente zero, mas produtos brasileiros chegavam àquele país pelas mãos de grande países, notadamente os Estados Unidos. Então porque não comercializar direto?, questionou.


