Agência Folha
De Davos
Em apenas um ano, o ambiente entre os empresários brasileiros que participam dos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial passou do desespero a uma contida euforia. Tanto é assim que, em uma reunião do grupo, ontem à tarde, o que mais se discutiu foram formas de ‘‘vender o Brasil’’ ao público de elite,
principalmente empresarial, que é a audiência essencial dos encontros anuais. O Foro Econômico de Davos, na Suíça, foi aberto ontem.
No ano passado, ao contrário, ‘‘os empresários sentiram-se traídos pelo governo’’, pelo desenlace dado à questão cambial (a desvalorização abrupta e descontrolada, depois de anos de câmbio rígido). Foi essa pelo menos a sensação de Paulo Setúbal, presidente da Duratex. Agora, há ‘‘alívio’’, diz Luiz Fernando Furlan, do grupo Sadia. Mais que alívio, para Pedro Moreira Salles (Unibanco), há uma ‘‘confluência muito positiva’’ entre um cenário internacional favorável e ‘‘o muito que se fez internamente’’.
Moreira Salles elogia, por exemplo, o ‘‘importante ajuste fiscal’’, embora diga que ele se fez pelo lado da receita, ou seja, é de ‘‘má qualidade’’. Elogia, igualmente, o fato de o governo ter conseguido fazer a desvalorização do real sem ter provocado a volta da inflação. O banqueiro e Furlan coincidem em imaginar que tenha havido até uma ‘‘mudança de mentalidade’’ (aliás a mesma apregoada pelo governo Fernando Henrique Cardoso) representada pelo fato de a população ter rejeitado aumentos de preços.
Furlan, de todo modo, introduz uma nuance: acha que a rejeição ao aumento de preços pode ter se dado menos por mudança de mentalidade e mais por falta de dinheiro para comprar determinados bens. Os dois voltam a coincidir em que ainda é necessário fazer a lição de casa.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deve participar de vários seminários hoje e, no sábado. Ele terá a melhor oportunidade de apresentar os mais recentes números da economia brasileira durante o painel ‘‘Is Brazil making it?’’

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