Vender lá é fácil. O duro é receber
O continente africano já foi um mercado importante para o Brasil. Entre o início dos anos 80 até meados de 87, o país chegou a exportar mais de US$ 1 bilhão por ano para a região, principalmente para a Nigéria. O problema é que os países africanos não pagaram parte do que compraram.
A queda do preço do petróleo e o empobrecimento dos países africanos inverteram a importância geográfica na pauta da exportação. A África chegou a representar quase 10% do volume exportado, hoje corresponde a menos de 3%. Nunca foi dada devida atenção para a África. Existe aí um potencial negligenciado pelos empresários e pelo governo brasileiro, diz o presidente da Silex Trading, Roberto Giannetti da Fonseca.
Ele acredita que parte dessa cautela deve-se ao grande risco do negócio. Vender na África é muito fácil. O duro é receber. Ele estima que o Brasil deve ter um crédito comercial com os países africanos de US$ 1 bilhão a US$ 1,2 bilhão. São dívidas de mais de dez anos, contraídas por países como Angola, Nigéria, Tanzânia, Moçambique, Zâmbia e Camarões.





