''Estou desesperado'', resumiu o vendedor autônomo de automóveis Carlos Alberto Montenegro ao iniciar sua queixa contra a Itaú Seguros. De acordo com Montenegro, a empresa não cumpriu o contrato assinado por ambos e ele pode entrar para o cadastro do Serasa nos próximos dias. A história começou em agosto do ano passado quando o vendedor adquiriu um seguro para sua casa, localizada na rua Joseph Aspedim, nº 19, na Vila Industrial (zona oeste), em Londrina.
Após seis meses de pagamento, um vendaval destelhou sua casa e derrubou o banheiro. Baseado no compromisso firmado com a seguradora, ele utilizou R$ 3,2 mil do cheque especial também do Banco Itaú e R$ 4 mil emprestados para reformar o imóvel. A surpresa surgiu com a visita do perito que, logo de cara, disse que o seguro não cobriria o sinistro porque sua casa era mista. ''São apenas duas ou três paredes de madeira na sala'', alegou Montenegro que enviou orçamentos e notas fiscais exigidos pela empresa para comprovar a despesa.
Segundo o vendedor, um mês depois a seguradora cancelou o contrato e devolveu o dinheiro pago durante os seis primeiros meses. O problema é que esta quantia é irrisória diante da sua dívida com o banco que é de quase R$ 9 mil. ''O gerente autorizou o pagamento dos cheques confiando no seguro que ele próprio vendeu. Agora, o banco ameaça mandar meu nome para o Serasa sem levar em conta os seis anos em que investi nele'', disse Montenegro que há pouco tempo saiu desse cadastro por causa de cinco cheques devolvidos.
No contrato existe realmente uma cláusula que exclui imóveis mistos e esse é o principal ponto de defesa da seguradora. De acordo com a assessoria de imprensa da Itaú Seguros, o cliente deveria ter lido o contrato com mais atenção. Mesmo assim, ele procurou o Procon e um advogado particular. ''Era obrigação do banco explicar ao cliente o conteúdo do documento. Portanto, cabe a ele o ônus da prova'', disse o coordenador municipal do Procon, Gerson da Silva. Outro erro, segundo ele, é o fato da empresa não ter vistoriado o imóvel que, de acordo com a assessoria da seguradora, é praxe da empresa.

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