Vendedor de frutas movimentou R$ 4 mi
As investigações a partir do cruzamento de informações do Imposto de Renda e CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no pólo Londrina da Receita Federal, que abrange 180 municípios sob jurisdição das delegacias de Londrina e Maringá, apuraram que cinco empresas devem à Receita R$ 11.538.620,66. Cerca de 25% desse valor já foram pagos, segundo o superintendente da RF da 9 Região, Luiz Bernardi.
As investigações tiveram início em abril e referem-se ao ano de 98, por enquanto. Os nomes das empresas e pessoas físicas são mantidos sob sigilo. No Paraná e Santa Catarina, 408 contribuintes estão sob ação fiscal, envolvendo R$ 24.591.964,07. Até o momento, foi registrado o recolhimento espontâneo de R$ 2.914.382,82.
De acordo com o panorama das investigações no pólo Londrina apresentado ontem pelo delegado Sérgio Gomes Nunes, 81 pessoas físicas e jurídicas foram ou estão sendo investigadas. Até agora, há indícios de que 24 casos referem-se a ''laranjas'' (pessoas que tiveram o nome usado por uma terceira com ou sem o seu consentimento); quatro casos também apontam indícios do uso de laranja que entraram com ação para tentar impedir as investigações; em 11 casos já foram comprovados o uso de laranjas; um caso refere-se a agiotagem; um outro refere-se a empresa fantasma; 27 são contribuintes detentores de recursos que não foram tributados; quatro empresas foram vendidas e mudaram de nome (podendo ou não estar em débito com o fisco), quatro empresas estão em dia com os impostos; e cinco empresas são, comprovadamente, devedoras.
''Dos 81 casos, quebramos o sigilo bancário em 17 situações'', informa Nunes. Luiz Bernardi cita casos pitorescos que foram encontrados durante as investigações. ''Em Londrina, encontramos um vendedor de frutas, morador de assentamento, que movimentou R$ 4 milhões em 98. Há indícios de que ele é um laranja'', comentou.
Os envolvidos poderão sofrer ação civil, visando a recuperação do crédito tributário sonegado, e ação penal, em que responderão por crime de sonegação, cuja pena básica é de dois a seis anos de prisão. (B.B.)





