Brasília As vendas reais da indústria cresceram 0,38% em maio em relação a abril, segundo o índice com a sazonalidade ajustada divulgado ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice sem ajuste sazonal cresceu 4,46% no período. De janeiro a maio, as vendas aumentaram 1,53% comparado a igual período do ano passado. A previsão da entidade é de que as vendas fiquem estagnadas ou tenham um crescimento pequeno até o final do ano.
Segundo o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o crescimento até maio foi sustentado pelas empresas exportadoras e pelo agronegócio, também voltado ao mercado externo. ''Mas o ritmo de aumento das vendas vem caindo desde o início do ano. Isso mostra também que as exportações não podem mais ser consideradas a grande alavanca do crescimento em 2003'', afirmou. Para ele, as exportações crescerão até dezembro, mas em um ritmo mais lento do que o atual. ''O crescimento do País depende muito da recuperação da demanda interna'', ponderou.
Os dados da CNI mostram que a indústria de Minas Gerais foi a que teve o melhor desempenho em maio contra abril, com crescimento de 13,63% das vendas reais, seguida da do Paraná, com 11,72%. A indústria do Amazonas foi a única que apresentou queda em maio: -3,57%.
O total de pessoal empregado no setor cresceu 0,29% em maio em relação a abril sem o ajuste sazonal, segundo a CNI. Com o ajuste, maio teve queda de 0,34%, a primeira em seis meses e a maior desde agosto de 2001. Para Castelo Branco, o dado acendeu o ''sinal amarelo'' para o trabalhador. ''Até abril, o baixo ritmo de vendas não tinha repercutido no emprego.
Maio foi o primeiro sinal de que as dificuldades da indústria chegaram ao mercado de trabalho do setor, principalmente porque é um período mais favorável ao emprego'', explicou.
O economista da CNI não prevê melhora do emprego na indústria no segundo semestre, uma vez que as vendas do setor tendem, na opinião dele, a se estagnar no período. ''A perda do poder de compra do trabalhador (-7,04% de janeiro a maio, em relação ao mesmo período de 2002) faz com que o consumo caia e não gere demanda, não provoque vendas'', analisou.
A utilização da capacidade instalada da indústria se manteve estável, em maio contra abril, em 79,8%. Porém, caiu na comparação com maio do ano passado, quando o índice foi de 80,5%.
A queda da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) é dada como certa por Castelo Branco, que tem dúvida apenas sobre qual será o tamanho do corte. ''Acredito, também, que a redução dos juros deva vir acompanhada de um corte do compulsório sobre os depósitos à vista'', disse.

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