Vendas podem aumentar 20% em 97
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sábado, 25 de janeiro de 1997
Maria Cristina Pfau Sucursal de São Paulo 
EncalhadosNo ano passado as vendas de tratores caíram 38,84% e a de implementos sofreram redução de 14%
A venda de tratores neste ano deve aumentar 20% e a de implementos agrícolas, de 10% a 15%, puxadas pelos bons preços internacionais da soja. As vendastiveram queda muito grande nos dois últimos anos e a expectativa é que este ano comece uma recuperação, embora ainda em níveis muito inferiores às do pico das vendas de 1994.
Além disto, os grandes problemas de inadimplência tendem a ficar para trás, com a securitização da dívida. Mas este ainda é um ponto bastante delicado porque, durante algum tempo, ainda estará comprometida a capacidade de endividamento dos produtores. Os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito, o que acaba se constituindo num círculo vicioso, dizem os fabricantes de máquinas.
Mesmo com este quadro eles estão otimistas com 1997. É impossível recuperar agora os níveis de 1994, mas os negócios serão melhores este ano, diz Rubens Morais, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor comercial da Jumil, fabricante implementos agrícolas. Os preços internacionais da soja, café e suco de laranja estão em alta, e a pecuária tem se mantido estável, enumera Morais. No ano passado as vendas de implementos agrícolas tiveram queda de 14% sobre 1995. Para este ano a previsão é, ao menos, recuperar esta queda.
Como tratores e demais máquinas agrícolas automotrizes tiveram em 1996 uma queda muito maior nas vendas, de 38,84%, também sua recuperação neste ano deve ser maior, prevê Morais. Edson Stefani, chefe da Regional Sul da Valmet, também aposta na recuperação de 20% na venda de tratores. Sentimos isto na predisposição dos produtores. Em novembro e dezembro aumentaram muito as consultas, mas não, ainda, as vendas, diz.
A gente já percebe que há uma expectativa de um ano melhor. A área plantada nos principais pólos produtores não caiu e a produtividade tende a se manter e a melhorar, acrescenta. Também os demais preços tendem a melhorar e o clima, por enquanto, está bom.
Este quadro mais ameno, se concretizado, se sucede a um período de grandes dificuldades. Em 1996, de todas as linhas da Finame, a agência do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para financiamento de máquinas, foi a destinada ao crédito agrícola a que mais caiu: -55% sobre 1994. Os empréstimos foram de US$ 206,1 milhões, contra US$ 455,5 milhões em 1995 e US$ 1.039,9 milhões em 1994. Mas estes números não refletem totalmente a realidade porque, dados os problemas com financiamento bancário, parte considerável dos compradores de máquinas - e não só as agrícolas - compra diretamente ou tem financiamento da indústria.
De acordo com o presidente da Abimaq, dos US$ 11 bilhões em máquinas vendidas ano passado para o mercado nacional, US$ 8,5 bilhões foram sem financiamento bancário. Mesmo assim a queda foi grande. Nos três últimos anos, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotrizes (Anfavea), a produção do País caiu de 51,3 mil unidades para 28,3 mil e 22,2 mil.


