EncalhadosNo ano passado as vendas de tratores caíram 38,84% e a de implementos sofreram redução de 14%

A venda de tratores neste ano deve aumentar 20% e a de implementos agrícolas, de 10% a 15%, puxadas pelos bons preços internacionais da soja. As vendastiveram queda muito grande nos dois últimos anos e a expectativa é que este ano comece uma recuperação, embora ainda em níveis muito inferiores às do pico das vendas de 1994.
Além disto, os grandes problemas de inadimplência tendem a ficar para trás, com a securitização da dívida. Mas este ainda é um ponto bastante delicado porque, durante algum tempo, ainda estará comprometida a capacidade de endividamento dos produtores. Os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito, o que acaba se constituindo num círculo vicioso, dizem os fabricantes de máquinas.
Mesmo com este quadro eles estão otimistas com 1997. ‘‘É impossível recuperar agora os níveis de 1994, mas os negócios serão melhores este ano’’, diz Rubens Morais, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e diretor comercial da Jumil, fabricante implementos agrícolas. ‘‘Os preços internacionais da soja, café e suco de laranja estão em alta, e a pecuária tem se mantido estável’’, enumera Morais. No ano passado as vendas de implementos agrícolas tiveram queda de 14% sobre 1995. Para este ano a previsão é, ao menos, recuperar esta queda.
Como tratores e demais máquinas agrícolas automotrizes tiveram em 1996 uma queda muito maior nas vendas, de 38,84%, também sua recuperação neste ano deve ser maior, prevê Morais. Edson Stefani, chefe da Regional Sul da Valmet, também aposta na recuperação de 20% na venda de tratores. ‘‘Sentimos isto na predisposição dos produtores. Em novembro e dezembro aumentaram muito as consultas, mas não, ainda, as vendas’’, diz.
‘‘A gente já percebe que há uma expectativa de um ano melhor. A área plantada nos principais pólos produtores não caiu e a produtividade tende a se manter e a melhorar’’, acrescenta. ‘‘Também os demais preços tendem a melhorar e o clima, por enquanto, está bom.’’
Este quadro mais ameno, se concretizado, se sucede a um período de grandes dificuldades. Em 1996, de todas as linhas da Finame, a agência do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para financiamento de máquinas, foi a destinada ao crédito agrícola a que mais caiu: -55% sobre 1994. Os empréstimos foram de US$ 206,1 milhões, contra US$ 455,5 milhões em 1995 e US$ 1.039,9 milhões em 1994. Mas estes números não refletem totalmente a realidade porque, dados os problemas com financiamento bancário, parte considerável dos compradores de máquinas - e não só as agrícolas - compra diretamente ou tem financiamento da indústria.
De acordo com o presidente da Abimaq, dos US$ 11 bilhões em máquinas vendidas ano passado para o mercado nacional, US$ 8,5 bilhões foram sem financiamento bancário. Mesmo assim a queda foi grande. Nos três últimos anos, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotrizes (Anfavea), a produção do País caiu de 51,3 mil unidades para 28,3 mil e 22,2 mil.

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