O comércio está pessimista em mais uma data comemorativa. A previsão dos lojistas é que as vendas do Dia dos Pais, comemorado no segundo domingo de agosto, tenham queda de até 4%. Entre os consumidores que pretendem presentear os pais, os produtos mais procurados devem ser vestuário, calçados, perfumes e eletrônicos, principalmente celulares.
"Todas as principais datas comemorativas tiveram queda de vendas neste ano", disse o economista do Instituto Datacenso, Cláudio Shimoyama. Segundo ele, o Dia dos Pais é a terceira melhor data para o comércio, só perdendo para o Natal e o Dia das Mães.
Ele prevê que o valor médio de presente para os pais deva ficar em R$ 150 e com mais compras realizadas à vista. "Assim como em outras datas, o comércio não está otimista até pelo cenário da economia", disse. O Datacenso faz pesquisa de mercado para a Associação Comercial do Paraná (ACP), que deve divulgar um levantamento com expectativa de vendas para a data nos próximos dias.
O diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Fernando Moraes, espera que as vendas fiquem estáveis neste Dia dos Pais em relação à mesma data do ano passado. "Como tem muita inflação nos produtos, as vendas ficarão semelhantes às do ano passado, ou seja, sem crescimento", disse.
A Acil não deve realizar pesquisa de vendas para esta data e, por isso, não há estimativa de valor médio de presente. Moraes prevê que as vendas aconteçam mais à vista porque o consumidor está mais cauteloso e "com medo de comprar". Segundo ele, pesam muito na decisão de compra do consumidor a insegurança política e a alta do dólar, que encarece muitos os insumos importados.
Ele disse que, além da queda nas vendas, o comércio vem sofrendo com o aumento de custos, em especial, da energia elétrica e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Segundo ele, as vendas estão menores em relação ao ano passado e os lojistas não conseguem repassar estes custos para o consumidor final.
O proprietário da Luquini Moda Masculina, Henrique Silva, disse que as vendas devem ficar equivalentes às do ano passado. No entanto, ao considerar as vendas reais (descontada a inflação), a queda deve ser de 10%. Ele acredita que o produto mais procurado na loja deva ser camisa e que o tíquete médio de presente fique em R$ 150. Silva disse que os efeitos da economia brasileira têm diminuído em 20% o fluxo da loja. Ele prevê que os clientes optem pelo pagamento com cartão de crédito para a data do vencimento.
A gerente da Scarpini Calçados, Vivian Mota, está um pouco mais otimista. Ela prevê um aumento de 5% nas vendas para a data. O tíquete médio deve ser de R$ 60 e, segundo ela, as vendas devem ser realizadas 80% no cartão de crédito com parcelamento.
O estudante universitário Vitor Calixto pretende presentear o pai com um disco de vinil e gastar cerca de R$ 100. "Meu pai gosta muito de rock", disse. Letícia Ribeiro Gonçalves que, no momento está desempregada, já comprou um relógio pela internet para o marido e pai do filho dela por R$ 170 parcelado em quatro pagamentos. Ela disse que só comprou o relógio para o marido porque ele estava precisando, senão teria escolhido um presente mais barato. "Para o meu pai vou comprar uma carteira e devo gastar cerca de R$ 80", contou.

mockup