Vendas para Argentina desabaram em dezembro
Rio O Brasil atravessou no fim do ano passado o pior dezembro em vendas para Argentina dos últimos dez anos. Desde 1992, quando ainda estavam no início as negociações para a criação do Mercosul, o volume de comércio neste mês não era tão fraco. A performance afastou ainda mais a corrente de comércio (soma de exportações e importações, que indica o fluxo comercial) dos dois países do pico alcançado em 1997.
Desde então, as trocas entre os parceiros caíram 24,3% e encolheram US$ 3,6 bilhões. Na avaliação da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), levará pelo menos dois anos para a retomada do desempenho perdido, a partir do ponto em que a Argentina comece a dar sinais de recuperação o que ainda não se prevê.
O recuo nas trocas nos últimos anos resultou, principalmente, das dificuldades enfrentadas pelo lado argentino, afirma o diretor geral da Funcex, Ricardo Markwald. Os fatores dominantes dos aumentos de fluxo em toda a experiência do Mercosul foram os ciclos econômicos por que passam os parceiros, analisa, sem desconsiderar a influência das restrições ao comércio bilateral impostas pela Argentina.
O principal, para Markwald, é que a Argentina volte a crescer. Se isto ocorrer, as trocas avançaram. O ciclo e o nível da atividade domina em relação aos fatores ligados à competitividade pela taxa de câmbio, diz.
Há quatro anos, as trocas comerciais entre os dois países somavam US$ 14,8 bilhões, recorde histórico, 15 vezes superior às de US$ 1 bilhão em 1985. No ano passado, entretanto, o valor chegou a US$ 11,2 bilhões.
Ao longo do ano passado, as exportações brasileiras para o vizinho recuaram. Em dezembro, comparado ao mesmo mês de 2000, a queda foi de 54,5%. As vendas foram de US$ 255,1 milhões no mês. Já as importações do Brasil no mês passado, de US$ 370,3 milhões, superaram somente as de dezembro de 1993, de US$ 268,1 milhões. A recente paralisação do comércio no início deste ano também afetará o movimento comercial de janeiro.
Na medida em que a Argentina entre em alguma faixa de recuperação e com uma taxa de câmbio mais competitiva, é provável que em algum prazo, daqui a dois anos talvez, comece a se recuperar os níveis de intercâmbio bilateral que havíamos atingido entre 1997 e 1998, afirma Markwald.
Mas os riscos sobre a Argentina persistem, como o da pressão inflacionária, além do fato de que não há um regime monetário definido. Os riscos de descontroles inflacionários são menores, por causa da profunda recessão, mas ainda existem, diz Markwald, citando que os problemas de potencial quebradeira e inadimplência estão presentes ainda.(AE)





