Lojistas esperam que o pagamento da segunda parcela do 13º salário, nesta sexta-feira (20), ajude a movimentar o comércio. A menos de uma semana do Natal, as vendas estão abaixo das expectativas, que previam um crescimento de pelo menos 10% sobre os resultados do ano passado. A conjuntura econômica do país e a concorrência com o comércio eletrônico são apontados como alguns dos fatores que contribuem para o fluxo menor de consumidores e o número de vendas aquém do esperado.

Ao longo de 2024, as vendas nas principais datas comemorativas do calendário varejista ficaram abaixo das expectativas. Agora, embora o Natal seja a melhor data do ano para o comércio, os lojistas estão apreensivos porque o volume de vendas segue baixo, insuficiente para alcançar as metas. “Já vai fazer duas semanas que estendemos o horário de funcionamento e esperava um movimento maior. Um pouco é o centro, que está abandonado, sem segurança, com muitos moradores de rua e sem atrativos para os consumidores, mas a nossa economia está ruim também”, comentou a gerente da Mega Jeans, Roberta Fonseca.

A concorrência com as lojas on-line e a disputa por clientes com os shoppings, onde há praças de alimentação, estacionamento e segurança, também são citados por Fonseca como prováveis motivos que causam a queda nas vendas. “Está 10% a menos do que a gente esperava em relação ao Natal do ano passado. Mas em todas as datas as vendas foram ruins neste ano. As vendas nos sites aumentaram muito e no centro faltam muitos lugares para estacionar. As pessoas acabam indo fazer suas compras nos shoppings”, lamentou a gerente, que ainda tem esperança de ver a na procura por presentes por aqueles que costumam deixar as compras para a última hora.

Proprietário da Nykkon, uma loja de confecções instalada no Royal Plaza Shopping, Edio Strelow está esperançoso em relação ao pagamento da segunda parcela do 13º para tentar recuperar as vendas de dezembro, que neste ano estão entre 8% e 10% menores do que no mesmo período do ano passado. “Depois do 13º aumenta sempre. Isso acontece há muitos anos e a nossa expectativa é que sempre dá para alcançar a meta e recuperar essa porcentagem negativa até o momento.” Na loja, o tíquete médio dos presentes varia entre R$ 100 e R$ 150.

O valor dos presentes vendidos na loja de Strelow estão um pouco abaixo da média apontada para Londrina na Pesquisa sobre a Expectativa de Vendas para o Natal 2024, realizada pelo Grupo Datacenso a pedido da Faciap (Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná). Segundo a sondagem, os londrinenses previam gastar com cada presente um valor médio de R$ 183,28, quase 25% acima da média no Paraná, de R$ 147,67. Entre os municípios pesquisados, Maringá foi o que teve o maior tíquete médio, de R$ 188,91 por presente.

“É um dado positivo, no cenário econômico em que estamos”, avaliou o presidente da Faciap, Fernando Moraes.

A pesquisa também mostrou que 42% dos paranaenses planejam presentear até três pessoas e 37% devem comprar entre quatro e seis presentes. “Estamos com uma expectativa maior em relação ao pagamento da segunda parcela do 13º, quando muito dinheiro entra na praça e acontecem as vendas”, disse Moraes.

A pesquisa ouviu 600 paranaenses, em Curitiba e Região Metropolitana, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Londrina, Cascavel e Francisco Beltrão. Entre os itens mais citados como opção de presente pelos paranaenses, as roupas lideram, com 53% da preferência dos consumidores. Logo abaixo vêm os calçados (44%), os acessórios, como bolsa, cintos e semijoias (32%), perfumes e cosméticos (30%) e brinquedos (30%).

A qualidade dos produtos é o fator que mais chama a atenção de 52% dos entrevistados, seguida das promoções e descontos (50%) e preços competitivos (36%). Em terceiro e quarto lugares aparecem a confiabilidade da loja, mencionada por 34%, e o atendimento ao cliente, considerado por 32% dos paranaenses.

“O cenário econômico é desfavorável, com alta do dólar, juros aumentando. Isso coloca uma apreensão no consumidor, que perde poder de compra. Mas os paranaenses têm o conforto de estarem empregados. O Paraná, hoje, vive o pleno emprego”, ponderou Moraes.

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