Vendas no varejo batem recorde
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Alessandra Saraiva <br> Agência Estado 
Rio - As vendas do comércio varejista atingiram alta recorde de 10,9% em 2010, a mais forte em dez anos e quase o dobro da apurada em 2009 (5,9%). Mas, o avanço da inflação no fim do ano passado assustou o consumidor, que pisou no freio em dezembro, quando o volume de vendas registrou estabilidade (0%), após avançar 1,1% em novembro.
Na análise do sócio sênior da GS&MD - Gouvêa de Souza, Luiz Goes, as vendas do comércio devem reduzir o ritmo de crescimento este ano, mas vão continuar a aumentar acima do Produto Interno Bruto (PIB). Para Goes, o mercado de trabalho apresenta sinais positivos este ano, o que deve sustentar os ganhos do trabalhador em 2011.
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, projeta uma alta entre 7,5% e 8% nas vendas do varejo este ano. Ele defendeu um ciclo mais curto de aperto monetário pelo do Banco Central, que elevou no mês passado a taxa básica de juros (Selic) para 11,25% ao ano. ''Um ciclo mais curto conduziria a uma desaceleração de menor intensidade no ritmo das vendas do varejo'', afirmou, lembrando que juros altos inibem compras de maior valor agregado.
O comportamento de vendas do varejo este ano está fortemente ligado ao combate à inflação, argumenta o professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite. ''Para que o aumento continue ocorrendo nos próximos anos, é necessário garantir o controle da inflação, que corrói o poder de compra da população, sobretudo a de renda mais baixa'', avalia.
Para o economista da Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de IBGE Reinaldo Silva Pereira, o ambiente favorável ao longo de 2010 não se sustentou até dezembro. Pereira classificou como uma ''acomodação'' a estabilidade nas vendas.
Segundo ele, o comércio foi derrubado por alimentos mais caros, que puxaram para baixo as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%) em dezembro contra novembro. ''Este setor é o de maior peso no comércio varejista, e isso acabou influenciando o resultado'', afirmou.
O comércio no ano passado foi beneficiado pela renda do trabalhador em alta; boa oferta de crédito; importados mais baratos, e eleições, já que campanhas eleitorais estimulam abertura de vagas no mercado. Além disso, a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, ajudou a melhorar vendas no primeiro trimestre de 2010, quando o benefício fiscal ainda estava em vigor.
Mesmo sem fazer previsões para 2011, Pereira admitiu que ''se o comportamento da economia este ano for tão bom quanto o de 2010, o comércio em 2011 vai crescer tanto quanto no ano passado''.


