A fiscalização intensiva na aduana, a alta na cotação do dólar e até mesmo os números crescentes da violência na fronteira são os principais motivos apresentados pelos empresários de Ciudad del Este, cidade paraguaia vizinha a Foz do Iguaçu, para justificar quedas nas vendas em dezembro, que chegam a 35% em comparação ao ano passado. A desistência do Banestado em manter contas CC5 abertas no lado brasileiro e a proibição de negócios com cartões Rede Fácil, determinada pelo Banco Central, pioraram ainda mais a situação do comércio local este ano.
Para Charif Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), mesmo o comércio registrando alta de 20% na primeira semana de dezembro em relação aos sete primeiros dias do mês anterior, o movimento ‘‘não chega nem perto dos anos 94 e 95’’, época em que as 7 mil lojas da cidade comercializavam US$ 1 bilhão em um único mês. ‘‘Hoje temos pouco mais de 2 mil portas abertas e que não chegam a movimentar US$ 2 bilhões em 12 meses’’, comentou o presidente da Cicap e também proprietário de um dos maiores shoppings do Paraguai.
Com o dólar sendo cotado a até R$ 2,11, os comerciantes estão oferecendo descontos que chegam a 50% na tentativa de atrair os poucos sacoleiros que se arriscam a cruzar a fronteira. Muitos venderores oferecem a mercadoria já em moeda brasileira.
A determinações do Banco Central impostas este ano – que proibiu bancos paraguaios de depositarem moeda brasileira em Foz do Iguaçu e também o uso de cartões Rede Fácil no exterior – também foram outros fatores que inibiram as vendas de Natal. O cancelamento das contas CC5 nas agências do Banestado em Foz, ocorrida depois que a Polícia Federal prendeu um funcionário do banco cruzando a fronteira com malote contendo mais de R$ 1 milhão em cheques, também prejudicou o comércio.

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