Curitiba - O comércio varejista apresentou em abril aumento nas vendas pelo quinto mês consecutivo, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem. O desempenho positivo foi verificado em 24 dos 27 Estados pesquisados. A média nacional ficou em 9,9% ante abril de 2003. No Paraná, o desempenho foi melhor - 11,34% a mais em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a abril, as vendas no País cresceram 8,01% em relação ao mesmo período do ano passado.
A recuperação no comércio só não é maior porque os fatores emprego e renda ainda estão emperrando o crescimento da economia, disse o pesquisador Nilo Lopes de Macedo, do IBGE. Segundo ele, ''a situação já foi pior e hoje não é tão ruim como estava''. Os setores em expansão no comércio são os que dependem de crédito, que está mais disponível para a classe média que se financia no cartão de crédito e cheques pré-datados. Já os setores, cujas vendas são destinadas às classes C e D, que dependem de emprego e renda para comprar mais ainda estão com recuperação tímida.
No Paraná, o crescimento nas vendas do comércio esteve acima da média, devido à base agrícola do Estado que é muito forte e vem impulsionando a expansão do emprego e renda, avaliou o técnico. E também à nova frente econômica, que é a industrialização do Estado. De acordo com Macedo, o Paraná se industrializou de forma acelerada e esse crescimento está se traduzindo em vendas no comércio, explicou.
Entre os grupos de atividades que mais venderam em abril, o setor de móveis e eletrodomésticos ganhou disparado em praticamente todo o País. No Paraná, os setores que mais venderam foram o de automóveis, com aumento de 31,66% em relação à abril do ano passado e o de móveis e eletrodomésticos que venderam 19,06% a mais.
Outro setor que está apresentando recuperação nas vendas é o de hipermercados e supermercados. No Paraná, o segmento registrou aumento de 16,17% nas vendas, enquanto a média brasilera nessa área apresentou alta de 6,72%. O setor que depende de emprego e renda, reflete o aumento no número de pessoas ocupadas e que o ganho de massa salarial está sendo usado na compra de gêneros de primeira necessidade para suprir a carência de famílias com salários arrochados e que vinham consumindo abaixo de suas necessidades, disse Macedo.
Já o setor de tecido, vestuário e calçados, que depende da renda do consumidor, teve queda de 3,74% nas vendas no Paraná e queda de 2,27% no País. A recuperação nas vendas desse setor é mais difícil principalmente para as classes C e D que dependem apenas de salário, que até agora ainda não reagiu, interpretrou Nilo.

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