Vendas não decolam e comércio faz promoções
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domingo, 17 de dezembro de 2006
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - Nunca houve tanta promoção como neste fim de ano. A uma semana do Natal, há redes de supermercados que decidiram dar panetones na compra de aves natalinas, varejistas de eletrodomésticos que cortaram os juros pela metade e lojas que oferecem bônus na venda de eletrônicos. A agressividade do comércio em promover as vendas num mês em que elas deveriam acontecer naturalmente mostra que o Natal ainda não começou para as grandes varejistas.
O desempenho deste fim de semana é que dará o tom do Natal, concordam os varejistas. Se o mercado não reagir, os preços podem cair ainda mais e as promoções vão aumentar até o dia 24. É uma situação atípica para esta época do ano, que tira o fôlego das liquidações após o Natal.
''O Natal ainda não pegou'', diz o supervisor geral das Lojas Cem, Valdemir Colleone. A projeção inicial, que era ampliar as vendas em dezembro em 20%, na comparação com o ano passado, já havia sido revista para 12%. Agora, caiu para 5%, levando em conta o mesmo número de lojas, e 8% considerando as novas unidades.
Ele argumenta que o consumidor está sem dinheiro e o nível de endividamento é elevado. Por isso, a disputa ficou acirrada. Pesquisa da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) revela que 61% dos paulistanos estão endividados e destes 43% são considerados inadimplentes. No mês passado, a fatia dos inadimplentes era de 34%.
''A venda ainda não disse a que veio'', diz o diretor das Lojas Insinuante, Rodolfo França Jr. A meta da rede, com 226 lojas espalhadas pelo Nordeste, é ampliar em 5% os negócios este mês, mas até agora conseguiu 2%, já considerando as novas unidades. Se forem comparadas as mesmas lojas, a queda é de 3%, diz o executivo. Nas contas de França Jr., há um acréscimo de 25% no número de promoções neste mês em relação a dezembro de 2005. ''Estamos incentivando a compra a prazo.'' Em dezembro do ano passado, o prazo máximo do crediário sem juros era de seis vezes e do parcelamento sem entrada, de 18 vezes. Neste ano, o prazo dessas modalidades de pagamento esticou para 12 e 24 vezes, respectivamente.
''Estamos mais agressivos em preços, sortimento e parcelamento neste ano'', diz o vice-presidente de Produtos Não Alimentícios da rede Wal-Mart, Fernando Menezes. Neste ano, por exemplo, a rede parcela em 10 vezes sem juros no cartão. Em dezembro de 2005, esse parcelamento era de, no máximo, seis vezes. O sortimento também melhorou, com aumento de 40% dos itens importados.
Apesar desse esforço, o volume de vendas de produtos não alimentícios da rede cresceu 15% até agora ante dezembro de 2005. A expectativa é ampliar entre 35% e 37% o volume de negócios. Segundo Menezes, as vendas devem deslanchar a partir desta semana, com o pagamento da segunda parcela do 13º salário. Ele argumenta que existem dois sábados antes das festas de Natal e Ano Novo.
Para o diretor da rede catarinense Lojas Berlanda, Nilso Berlanda, todos os varejistas estão mais agressivos nas promoções deste Natal, sacrificando margens e ''matando o preço do concorrente''. O número de itens em oferta na sua empresa este mês é 20% maior se comparado ao mesmo período de 2005. ''Para nós o movimento do Natal já começou.'' Até agora, o faturamento cresceu este mês 5% em relação a dezembro de 2005. A previsão da rede é ampliar em 10% as vendas.
Não são apenas as facilidades de pagamento que fazem a diferença neste Natal. Os preços dos aparelhos de imagem e som também despencaram. Uma pesquisa feita da reportagem pela Shopping Brasil, empresa especializada em pesquisas de preços, mostra que o preço da televisão de plasma de 42 polegadas caiu 41% entre novembro e dezembro de 2005 e os mesmos meses deste ano. Nos aparelhos de DVD, o recuo foi de 29%, enquanto nas TVs de 14 e 29 polegadas, a retração foi de 15% no mesmo período.
A pesquisa considerou as ofertas nas principais redes varejistas em nove capitais e no Distrito Federal e revela também que os refrigeradores de uma porta e os fogões de quatro bocas estão mais caros este ano: 4% e 8%, respectivamente.


