Vendas industriais do PR recuaram 12,02% em janeiro
As vendas industriais do Paraná caíram 12,02% em relação a dezembro de 98. A queda poderia ser considerada normal, se levado em conta o crescimento de Natal do mês anterior. Mas comparado a janeiro de 98, o desempenho negativo do mês da desvalorização do real foi de 6,95%, conforme pesquisa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). Entre os gêneros que tiveram maior queda em relação ao mês anterior estão bebidas (-43,85%), material elétrico e de comunicações (-42%), perfumaria, sabões e velas (-30,30%) e minerais não metálicos (-17,20%). Mas alguns gêneros conseguiram aumentos como material de transportes (44,26%), produtos farmacêuticos e veterinários (16,93%) e o setor têxtil (14,86%).
Além da tradicional acomodação dos níveis de produção determinada pelo comportamento das vendas de fim de ano, 99 teve um início fora dos padrões, na avaliação da Fiep. O planejamento das atividades produtivas sofreu com a desvalorização do real e trouxe reflexos evidentes na formação dos preços relativos da economia.
O mês de janeiro também teve uma queda no nível de emprego de 0,35% comparado com o mês anterior, e de 2,13% em relação ao mesmo período de 98. Esse decréscimo de janeiro correspondeu a 1013 vagas a menos. Os setores que mais demitiram foram vestuário, calçados e artefatos de tecido, editorial e gráfica e bebidas. Entre os gêneros que tiveram maiores aumentos nas vagas de emprego, estão química, produtos farmacêuticos e veterinários e mecânica.
Conforme a pesquisa, alguns gêneros industriais apresentam quedas bruscas de faturamento sempre no começo de cada ano, por operarem com produtos sazonais ou porque a sua demanda se realiza por encomenda. É o caso do setor de bebidas, que concentrou suas vendas nos meses do final de 98, e trabalhou com estoques reduzidos e meramente de reposição moderada no começo do ano. O de material elétrico e de comunicações teve significativa redução de entregas por encomenda neste início de 99, por razões estratégicas de seus clientes que estão revendo seus cronogramas de investimento afetados pela crise econômica.
A massa salarial líquida também teve uma queda de 5,46% entre dezembro/98 e janeiro/99. Mas os técnicos da Fiep ressalvam que neste aspecto deve-se considerar os efeitos do pagamento da gratificação natalina incorporada aos valores de salários, no último mês de cada ano.Arquivo FolhaVagas a menosO nível de emprego na indústria paranaense recuou 0,35%: vestuário foi um dos que mais demitiuAndréa Bertoldi
Especial para a Folha





