Vendas industriais devem cair no 1º trimestre de 98
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
A indústria vai sentir com maior intensidade o efeito da elevação das taxas de juros, promovida pelo governo, no primeiro trimestre do próximo ano, avalia o economista Flávio Castelo Branco, coordenador-adjunto da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com ele, diferente do comércio, que já vai sentir a retração da demanda nas vendas de fim-de-ano, as encomendas para a indústria só começarão a cair após o Ano Novo.
O comércio vai vender menos no final do ano e, portanto, ficará com estoques elevados, sem ter que fazer novas encomendas à indústria, explica o economista da CNI. A exceção, segundo ele, ficará para o segmento industrial que produz eletroeletrônicos e automóveis. Neste dois setores, onde a venda depende basicamente de financiamento, o comportamento deverá ser semelhante ao do comércio, ou seja, queda das vendas num primeiro momento, logo seguida pela dispensa de pessoal.
Na opinião de Castelo, a retração da economia provocada pela alta dos juros será mais forte do que em 1995 e sua duração dependerá da velocidade com que o governo conseguir reduzir as taxas de juros. Em 95, analisa o economista, a inflação era mais elevada e o aumento nas taxas de juros foi da ordem de 50%. Agora a inflação está próxima de zero e os juros dobraram.
O efeito da política da manutenção da estabilidade econômica sobre o emprego já se fez sentir anteriormente. A queda do emprego, nos últimos dois anos e meio, de acordo com a CNI, foi da ordem de 14,36%.
Indicadores A CNI divulgou ontem os indicadores industriais de setembro e a sondagem empresarial, feita no terceiro trimestre do ano, junto a pequenas e médias indústrias. Se o mês de setembro for olhado isoladamente, houve recuperação da atividade industrial frente ao forte recuo de agosto. No mês de setembro as vendas cresceram 7,03% contra uma queda de 6,88% em agosto. O economista da CNI chama a atenção para que, no trimestre, o quadro é de estabilidade, uma vez que o crescimento das vendas foi de apenas 0,38%.
A pesquisa da CNI não captou, naturalmente, o efeito da elevação das taxas de juros sobre a atividade industrial. Isto só deve ocorrer, de acordo com Castelo, a partir do mês de novembro, com forte impacto no último trimestre do ano.
Também a sondagem empresarial da pequena e média indústria, referente ao terceiro trimestre do ano, aponta um quadro de estabilidade nos indicadores de produção, vendas físicas, estoques e emprego.
Segundo o documento da CNI, mais da metade das 670 indústrias pesquisadas (53,6%) continuam a trabalhar acima de 70% de sua capacidade instalada. Os dados de produção física indicam que 42,1% das empresas registraram estabilidade em relação ao trimestre anterior, enquanto 29,2% acusaram aumento da produção e 28,6% apresentaram queda. O volume de vendas físicas aumentou para 33,3% do universo pesquisado, enquanto que o nível de emprego foi declarado estável por 50,5% das empresas.


