Vendas industriais crescem no PR
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba A indústria paranaense fechou o ano de 2004 com um crescimento de 7,43% no faturamento, recuperando parcialmente a queda de 12% nas vendas ocorridas em 2003. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), o desempenho do setor, considerado bom, foi alavancado pelo aumento das exportações e pela reação do mercado interno em decorrência do aumento do crédito.
Para 2005, no entanto, o cenário é incerto e a indústria pode não repetir os bons resultados do ano passado, avaliou o vice-presidente da entidade, Arthur Carlos Peralta Neto. Ele apontou a elevação dos juros e a depreciação da taxa de câmbio, que não favorece as exportações, como principais fatores que podem provocar nova parada da indústria. Para evitar outra onda de estagnação, o empresário disse que o País necessitaria de um crescimento contínuo da ordem de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) por uma década, pelo menos. ''Se não acontecer, nada vai mudar no cenário econômico'', antecipou.
Como reflexo da elevação das taxas de juros e queda do câmbio nos últimos meses de 2004, o faturamento da indústria no mês de dezembro caiu 5,41% em relação ao mês anterior. As vendas, principalmente no mercado interno, caíram drasticamente. Já as exportações mantiveram o ritmo de crescimento no mês. Peralta justificou que é tão difícil conquistar o mercado externo que, mesmo com a taxa do câmbio em baixa, é preferível trabalhar com baixo lucro para não perder o cliente.
Além dos espasmos no crescimento que prejudicam o planejamento industrial, Peralta citou ainda a MP 232 que, de acordo com ele, vai significar aumento na carga tributária para os prestadores de serviços, que vão repassar o custo para as indústrias. Segundo o empresário, o aumento da carga tributária sobre os vários setores da economia acabam se transformando em aumento de custos para a indústria porque é o setor que tem a obrigação de recolher e, muitas vezes, antecipar os impostos.
Os setores com melhor desempenho de vendas em 2004 foram o de bebidas, com crescimento de 35,43%; material elétrico e de comunicações, com aumento de 35,13%; material de transporte, com elevação de 23,73%. Já o setor do vestuário, calçados e artefatos de tecidos foi o setor com pior desempenho no ano, registrando queda de 23,87% nas vendas.
O presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário, de Curitiba, Ardisson Naim Akel, atribuiu o mau resultado do setor no ano passado ao clima indefinido. ''No inverno, tivemos dias de verão. No verão, tivemos inverno'', afirmou.''Como no vestuário, a relação com o varejo é muito direta, as encomendas foram reduzidas rapidamente'', disse o empresário.


