São Paulo A idéia de que a aposta em exportações pode garantir o crescimento de receita pode não ser verdadeira para o setor de alimentos. A advertência é do economista da LCA Consultores, Francisco Faria Júnior. Para ele, embora o crescimento em valor tenha ocorrido de fato para as empresas alimentícias que ganharam o mercado externo, a rentabilidade obtida com esse tipo de venda nem sempre é a esperada. ''Tanto que setores como o de café, açúcar e de abate de animais sofreram queda de rentabilidade de 1992 a 2002, período em que suas exportações subiram consideravelmente'', destaca.
Levantamentos da LCA mostram que o aumento médio das exportações dos produtos de café no período chegou a 3,9%, enquanto a rentabilidade recuou 4,6%. No caso do abate de animais, o incremento nas remessas externas foi bem maior (18,2%), com um recuo de 1,4% na rentabilidade.
Quadro semelhante se delineou para o açúcar, cujos embarques se ampliaram em 26,7% e a rentabilidade sofreu uma queda de quase 5% no período. Outros segmentos, como o de óleo vegetal, por exemplo, também mantiveram as exportações em alta no período, mas com rentabilidade bastante reduzida. No caso do óleo vegetal, as remessas externas foram ampliadas em 6,8%, enquanto a rentabilidade ficou estável em 0,3%.
''Isso não significa que a estratégia seja equivocada, até porque as que mais trabalham o comércio exterior foram as que mais cresceram'', destacou Faria Júnior. O que se sugere é um estudo aprofundado da atividade, que abranja suas vantagens e riscos, até mesmo para que não haja surpresas posteriores.
De acordo com o levantamento da LCA, as empresas alimentícias que remetem menos de 10% de sua produção ao exterior cresceram 17% no período. As companhias que exportaram mais de 10% da produção tiveram taxa de expansão de 42%.

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