São Paulo - O setor supermercadista brasileiro concluiu 2004 com um faturamento nominal de R$ 97,7 bilhões, resultado 9,41% superior ao de 2003. A expansão real, deflacionada do índice IPCA (IBGE), foi de 2,57%. ''Não alcançamos os R$ 100 bilhões que prevíamos, resultado que deve ficar para este ano, para o qual prevemos uma expansão real de 2% a 2,5%'', diz o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira.
O executivo admite que a recuperação dos mesmos níveis de 2002 ficará para o final deste ano, uma vez que, em 2003, o setor amargou queda real de 4,50%. Pelos levantamentos da Abras, o faturamento do setor, em dezembro, cresceu 4,43%, descontada a inflação, frente a igual mês de 2003. Em relação a novembro, a alta real foi de 34,94%.
Oliveira comenta que o melhor desempenho do mês, em relação a 2003, explica-se por iniciativas dos supermercadistas, como facilidade para pagamento, ampliação das ofertas e promoções, adequação e ampliação do mix de serviços, entre outras. Frente a novembro, o bom desempenho já era esperado por causa da sazonalidade das festas de fim de ano.
''Mas sentimos que o aumento das taxas de juros, promovido pelo governo a partir de setembro, já prejudicaram os resultados do setor, de novembro para frente'', afirma Oliveira. ''O impacto nas vendas se deu não apenas em consequência direta dos aumentos dos juros, mas também pelo aspecto psicológico do consumidor, que fica inseguro frente ao que está para acontecer.'' O executivo acrescenta que 50% das vendas do setor já dependem de crédito, seja por conta do cartão de crédito ou de cheques pré-datados.
Inflação - Oliveira chama a atenção para o fato de os aumentos de preço praticados pelo setor supermercadista, em 2004, serem inferiores a qualquer índice oficial de inflação. Pelos cálculos da Abras, no acumulado do ano, os preços nos supermercados subiram 4,37%, ante uma variação de 7,60% do IPCA.
O executivo destaca que um dos fatores que contribuíram para isso é que 70% das vendas do setor são de produtos alimentícios, que, dentro da cesta de produtos usada para compor o IPCA, foi o grupo que apresentou a menor variação (3,86%). ''Também contribuíram para isso a eficiência do setor e, por que não, as mudanças que ocorreram na cobrança do PIS e Cofins'', explica Oliveira.
O executivo teme, entretanto, que o setor se sinta pressionado a aumentar, de 1% a 1,5%, os seus preços em 2005, caso seja aprovada a MP 232, que muda a cobrança de ISS em empresas prestadoras de serviços. ''O problema é que o setor usa muito serviço terceirizado, como suporte de informática, logística, serviço de segurança e limpeza'', explica Oliveira. ''Se eles nos cobrarem mais, possivelmente teremos de repassar para os produtos que comercializamos.''
Ele não soube, contudo, precisar qual peso que esses serviços têm nos custos do setor. ''O meu objetivo é alertar os consumidores de que essa MP pode ter consequências maiores do que nessas empresas prestadoras de serviços, ao atingirem indiretamente a indústria e o varejo'', observou.
Investimentos - Pelos cálculos da Abras, o setor investiu neste ano cerca de R$ 1,5 bilhão, ante previsão inicial de R$ 1 bilhão. Grande parte dos recursos, segundo Oliveira, foi alocada para a inauguração e remodelação de lojas, sendo que uma parte também se destinou a novos serviços e diversificação do mix de produtos.''Para 2005, os investimentos devem variar de R$ 1,6 bilhão a R$ 2 bilhões'', projeta Oliveira.
De acordo com levantamentos da Abras, a cada ano o setor apresenta um crescimento de 5% a 9% na área de vendas.

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