Vendas em supermercados crescem 1,29% em junho
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quarta-feira, 30 de julho de 2014
Dayanne Sousa<br>Agência Estado 
São Paulo - As vendas reais do setor supermercadista registraram alta de 1,29% em junho em relação a junho de 2013, de acordo com o Índice Nacional de Vendas divulgado ontem pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Na comparação com maio deste ano, o indicador aponta retração de 1,4%. Esses índices já foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado do primeiro semestre de 2014, houve aumento real de 1,57% nas vendas ante o mesmo período de 2013. Em valores nominais, o índice de vendas da Abras apresentou crescimento de 7,9% em junho em relação ao mesmo mês de 2013 e queda de 1,01% sobre maio.
A AbrasMercado, cesta de 35 produtos de largo consumo, analisada pela GfK a pedido da Abras, apresentou queda de 0,14% em junho em relação a maio deste ano, passando de R$ 377,93 para R$ 377,40. Na comparação com junho de 2013, o indicador cresceu 4,67%.
Os produtos com maiores altas em junho, na comparação com maio, foram: biscoito do tipo maisena (+3,53%), carne dianteiro (+2,67%) e creme dental (+2,67%). As maiores quedas foram impulsionadas por batata (-9,15%), tomate (-8,75%) e cebola (-8,42%).
A Abras deve revisar para baixo no próximo mês sua previsão para crescimento das vendas do setor supermercadista em 2014. A informação é do presidente do conselho consultivo da entidade, Sussumu Honda. A previsão feita no início do ano era de alta de 3%. Durante apresentação dos números de vendas em junho, o executivo observou que uma expansão abaixo do patamar de 3% ao ano é "bastante baixa" segundo os níveis históricos do setor. Se o resultado abaixo desse patamar se confirmar, será o pior desde 2006, ano em que as vendas dos supermercados tiveram queda real de 1,59%.
O executivo apontou para o fato de que os números do primeiro semestre indicam desaceleração no ritmo de crescimento das vendas mês a mês. Ele ainda lembrou que o segundo semestre de 2013 foi de ritmo de crescimento mais alto e que, portanto, o patamar de comparação dos próximos meses será mais duro.
Honda avaliou que as vendas em junho tiveram uma dinâmica diferente por conta da Copa do Mundo. "Se criou muita expectativa (para alta de vendas na Copa), mas houve certa exacerbação nesse aspecto", comentou. O executivo considerou que algumas categorias de produtos foram beneficiadas na Copa, em especial bebidas e carnes, mas outras tiveram menor venda.
"O consumo ficou muito voltado para bebidas, carnes e salgadinhos, mas o supermercado não é só isso", disse Honda. Ele citou itens de bazar (roupas, brinquedos, utensílios domésticos) como um segmento que acabou sendo prejudicado nesta época. Outro impacto foi o menor horário de funcionamento nas lojas. De acordo com ele, algumas, em especial as de menor porte, fecharam antes dos jogos da seleção brasileira e não reabriram depois.
Ainda assim, Honda considerou que o desempenho do varejo de alimentos foi melhor do que de outros setores do comércio. "Acho que o resultado na Copa de certa forma é bom, o varejo alimentar conseguiu aproveitar muitas oportunidades", ressaltou, ponderando que as perspectivas em setores como o varejo de vestuário e calçados já eram piores.


