Vendas em supermercados caem 3,36%
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quarta-feira, 25 de junho de 2003
Das agências 
São Paulo As vendas dos supermercados em maio amargaram uma queda de 3,36% em relação a abril. De janeiro a maio, a queda chega a 0,79%. Se o ritmo de consumo não for acelerado, o setor poderá fechar o semestre com uma queda de 1% em relação ao mesmo período de 2002.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, a diminuição das vendas reflete a redução do poder aquisitivo do consumidor. ''O consumidor não deixou de ir ao supermercado. Sua frequência é a mesma. O problema é que o consumidor não tem renda para consumir. Ele diminuiu o valor de sua compra'', disse Oliveira.
Em função dessa queda, as empresas do setor supermercadista deverão rever em breve as projeções de vendas para este ano. A Abras contava com um crescimento do faturamento de 2% este ano, mas já admite reduzir esse número. Isto porque, considerando o desempenho dos cinco primeiros meses, a perda é de 0,79%, o que exigiria uma forte recuperação das vendas no segundo semestre para o cumprimento da estimativa inicial.
Além do encolhimento da renda da população, do desemprego e das altas taxas de juros, os resultados estão sendo comprometidos pelos aumentos de preços. Após o salto da inflação no fim de 2002 e início de 2003, os preços de muitos produtos começaram a recuar, mas há setores em que a pressão persiste, como em alguns hortifrútis e nos produtos de limpeza e higiene. No primeiro caso, a justificativa é a entressafra e problemas climáticos. No segundo, ainda é o reflexo do dólar, pois o repasse não foi feito integralmente quando a taxa de câmbio disparou.
O consumidor enfrentou este ano um aumento de 61,9% do preço da batata, de 71,2% da cebola, de 53,5% do tomate e 32,2% do extrato de tomate, segundo levantamento feito mensalmente pela Abras com base nos preços das principais redes. No caso dos produtos de limpeza e beleza, os aumentos são também acentuados: sabonete, 26,7%; sabão em pó, 18%; xampu, 19,9%; creme dental, 13,5%; detergente para louça, 12,5%; papel higiênico, 8,9%. O agravante é que todos os produtos já tinham subido no ano passado. Em 2002, o sabão em pó, por exemplo, registrou aumento acumulado de 12%; os detergentes, 14%; papel higiênico, 18,4%, sabonete, 11,1%.
''A reação dos consumidores diante das remarcações tem sido a substituição por marcas mais baratas ou diminuição de quantidades'', disse João Carlos de Oliveira. A participação da categoria de limpeza doméstica e higiene no faturamento das lojas já caiu dois pontos porcentuais desde 2001, situando-se agora na faixa de 13,5%.
Em maio, a cesta de 35 produtos medida pela Abras registrou alta de 0,62%, com o preço médio ficando em R$ 194,13. Nos últimos 12 meses, a variação é de 34,77%.


