São Paulo - As vendas do setor supermercadista em abril registraram crescimento de 4,48% em termos reais em relação ao mesmo mês do ano passado. Sobre março, a alta foi de 5,04%. Porém, no acumulado do ano, o resultado ainda é negativo, de - 2,53%. Os dados são da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em termos nominais, o faturamento do setor cresceu 9,32% em comparação a abril de 2005 e subiu 5,26% em relação a março. No acumulado do ano, a alta nominal é de 2,62%.
A entidade avaliou que o resultado positivo de abril já pode ser considerado um sinal de melhora gradual dos resultados das vendas dos supermercados. Além do efeito da Páscoa e do aumento do salário mínimo, a Abras destaca as ações adotadas pelas empresas para estimular o consumo. Mas João Carlos de Oliveira, presidente da Abras, esperava um resultado superior ao que foi registrado em abril. Se a Páscoa tivesse atingido a estimativa prevista, que era de um aumento nas vendas de 14%, possivelmente o porcentual poderia ter chegado aos 5%. No entanto, a data gerou vendas 12% maiores que em 2005.
As vendas em volume físico dos supermercados nos primeiros dois meses do ano continuaram superando o desempenho do faturamento das empresas. Enquanto em quantidade os varejistas conseguiram elevar em 5,5% o volume comercializado, a receita caiu 1,84%. A deflação nos preços dos alimentos e bebidas foi a principal causa desse comportamento, além da continuidade do movimento dos consumidores de buscar marcas e produtos mais baratos, o que caracterizou o ano de 2005. ''Não gostaríamos que isto voltasse a acontecer em 2006'', disse Oliveira.
Apesar de os resultados de vendas de abril já começarem a mostrar alguma reação frente aos meses anteriores, não há indicações de que o ano será memorável. Segundo ele, o movimento gerado pela Copa do Mundo não terá impacto tão positivo como se fala sobre o setor porque, salvo as lojas que vendem produtos eletroeletrônicos, o consumo de outros itens será pontual e pouco relevante. Além disso, as lojas devem ficar fechadas ou sem clientes nos horários dos jogos. A Abras acredita que o aquecimento das atividades gerado pelas eleições pode ter efeito mais expressivo para o setor. A expectativa do setor é fechar o ano com um crescimento de 2%.

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