Emerson Dias
Enviado a Ciudad del Este
Especial para a Folha
Mesmo com as promoções de final de ano e o dólar chegando a ser cotado pelas lojas de Ciudad del Este a R$ 1,72, o movimento do comércio paraguaio está em baixa. As compras caíram cerca de 50% em relação a dezembro do ano passado. As poucas pessoas que entram nas lojas, nem olham as vitrines com produtos caros. Nas sacolas, nada de eletroeletrônicos, artigos comprados com maior frequência pelos visitantes. Os turistas e sacoleiros estão optando por presentes baratos e ‘‘lembranças’’ de R$ 1,99.
Os comerciantes esperam agora que o comércio se aqueça durante este final de semana que antecede o Natal, apesar de já aguardarem um balanço negativo para 99.
No ano passado, as seis mil lojas de Ciudad del Este registraram um movimento de U$ 3,5 bilhões. Até o final deste ano, os lojistas calculam que as vendas não devem ultrapassar os U$ 2,5 bilhões. ‘‘Quando compararmos com o ano passado, vemos um resultado assustador. Imagine se lembrarmos de outros anos, como entre 94 e 95, quanto o comércio da cidade chegou a vender U$ 1 bilhão em apenas um mês’’, calcula Charif Hammoud, presidente da CICAP, Centro de Importadores e Comerciantes do Alto Paraná, entidade que representa os lojistas de Ciudad del Este.
Para Hammoud, o principal motivo da queda dos negócios é a falta de dinheiro nos bolsos dos sacoleiros e turistas, principalmente os brasileiros, já que, além do dólar estar sendo cotado no Paraguai a um valor 12% mais baixo que o praticado no Brasil, algumas lojas estão oferecendo desconto de 15% para quem paga em moeda americana e promoções onde a mercadoria é vendida a preço de custo. ‘‘Ninguém quer ficar com produtos natalinos encalhados na prateleira. Mas estamos perdendo para as lojas de R$ 1,99 brasileiras, onde eles estão ainda mais baratos’’, disse Hammoud.
A maioria dos visitantes que atravessaram ontem a Ponte da Amizade em direção ao Brasil, está levando sacolas com poucos presentes para a família e amigos. A doméstica Ieda Rocha, 40 anos, gastou R$ 45,00 nos brinquedos comprados para os sobrinhos. Para ela, esse ano foi mais difícil que o anterior. ‘‘Tá todo mundo apertado. Não dá pra gastar mais que isso’’, disse Ieda.
A última tentativa do comércio paraguaio em aumentar as vendas, foi estender o horário do comércio em uma hora durante o mês de dezembro. Muitas lojas, que normalmente fecham aos domingos, estarão abertas amanhã, das 10h às 16h. ‘‘É a última chance de liquidarmos tudo. Semana que vem, os sacoleiros comemoram o final de ano com a família e só voltam em janeiro’’, desabafa um vendedor.Faltando uma semana para o Natal poucos turistas e sacoleiros vão às compras, frustranto os lojistas paraguaios
Ney de SouzaÀS MOSCASNas ruas próximas à Ponte da Amizade, somente os taxistas estão parados, aguardando pelas poucas pessoas que visitam as lojas: promoções e dólar cotado a R$ 1,72 não são suficientes para atrair turistas e sacoleiros

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