A crise econômica parece que chegou ao setor supermercadista. As vendas reais do setor caíram 4,72% em junho na comparação com maio no País. Na comparação com junho de 2014, a queda foi de 3,04%. No acumulado do ano até junho, os negócios ficaram estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior. E a expectativa para o fechamento do ano não é das melhores: crescimento de apenas 0,5%.
Em valores nominais, sem atualização pela inflação, as vendas do setor em junho apresentaram queda de -3,97% em relação ao mês anterior e, quando comparadas ao mesmo mês do ano anterior, registraram alta de 5,59%. No acumulado do ano, as vendas cresceram 8,06%.
O superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, disse que as vendas do setor no Paraná acompanharam a média nacional. "A conjuntura econômica do País está negativa", lamentou.
A previsão dele é que com a proximidade de final de ano as vendas tenham melhora. Ele prevê que o setor feche 2015 com crescimento real de 0,5%. "O segundo semestre é sempre melhor que o primeiro. Só o mês de dezembro tem vendas de 30% a 35% maiores que todos os meses do ano", ressaltou.
Segundo Rovaris, as lojas do setor que mais sofreram foram os hipermercados que registraram queda de vendas de eletrodomésticos, vestuário e itens de bazar. O superintendente da Apras observou que o consumidor está tentando cortar os supérfluos e indo menos vezes ao supermercado durante o mês.
O presidente da Abras, João Sanzovo, também acredita que as vendas no Brasil cresçam no segundo semestre do ano, quando se encontra o melhor momento do setor, que são as festas de Natal e Ano Novo. "O primeiro semestre do ano decepcionou em vendas, porque no acumulado até agora apenas empatamos com os resultados do ano passado. Esse resultado se deve ao momento difícil da economia, evidenciado pelos baixos indicadores de emprego e de confiança do consumidor. Esperamos que esse quadro se reverta nos próximos meses, e que o setor possa alcançar resultados melhores de vendas até o final do ano", afirmou.
Os preços de itens básicos nos supermercados brasileiros cresceram 1,19% em junho na comparação com maio, de acordo com dados da Abrasmercado, em uma cesta de 35 produtos de largo consumo pesquisada pela GfK e analisada pela Abras.
O preço da cesta de produtos saiu de R$ 406,20 em maio para R$ 411,03 em junho. Na comparação com o mês de junho de 2014, a alta foi de 8,91%. E a previsão é que, com a alta do dólar, os preços devam se manter elevados nos supermercados.
Os produtos com maiores altas em junho na comparação com maio foram: cebola, que subiu 16,72%; batata, com alta de 8,99%, e sabão em pó, com crescimento de 4,42%. As maiores quedas foram tomate, com recuo de 12,79%; biscoito cream cracker, com queda de 4,44%, e massa sêmola espaguete, com baixa de 1,47%.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, disse que o consumidor tem pesquisado mais nos supermercados e consumido menos, além de trocar marcas com preços mais elevados por outras com valores menores.
Ele destacou que, nos últimos 12 meses encerrados em junho, a inflação (IPCA) ficou em 8,89% e a alimentação no domicílio teve alta de 9,33%. Segundo ele, a alimentação pesa mais no bolso das famílias que ganham menos. Somado a isso, Silva lembrou que, neste ano, ocorreram aumentos de impostos federais e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Paraná que trouxe muito impacto para os itens comercializados pelos supermercados.

Investimento

O segundo semestre do ano é tradicionalmente melhor para o setor supermercadista. Diante desta sazonalidade positiva, a Abras espera contratações na segunda metade do ano, não havendo assim a expectativa de demissões no setor.
Sanzovo ainda declarou que os investimentos estão mantidos pelos supermercadistas. "Investimentos estão mantidos, com projetos de inauguração de novas lojas e reformas e expansões também. O setor não está perdendo faturamento até agora e está se mantendo", disse. (Com agências)

mockup