Vendas dos Dias dos País divide opiniões no comércio de Londrina
Katia Baggio
Especial para a Folha
As promoções, liquidações e outras facilidades de compra oferecidas ao consumidor, visando o presente do Dia dos Pais, funcionaram para a maioria dos comerciantes de Londrina. Pelo menos é o que mostram os números apresentados pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que indicam empate nas vendas em relação ao mesmo período de 98. A data ajudou inclusive a puxar as vendas do estoque de inverno, que estavam paradas. Mas para o Sindicato do Comércio Varejista, que fez pesquisa própria entre os lojistas, os resultados não foram tão bons assim.
Valter Orsi, presidente da Acil, analisa as estatísticas de forma positiva. As consultas ao SCPC, que correspondem às vendas pelo crediário, foram 6,39% menores do que o mesmo período de 98. Mas as avaliações dirigidas ao Protecheque, que refletem as transações à vista, foram superiores 18,75%. Isso significa que esse ano o consumidor optou por gastar um pouco menos para não assumir dívidas, analisa.
Segundo a Acil, o sábado foi responsável pela maioria das vendas à vista. Os negócios com cheque foram quase 30% superiores ao Dia dos Pais de 98, enquanto que o SCPC registrou déficit de 2,7% comparado ao mesmo período.
O gerente da filial Londrina da rede de lojas Riachuelo, Antonio Sampaio Andrade, comemora um crescimento de praticamente 100% sobre a expectativa de vendas para a data. Nós tínhamos como meta a comercialização de 20% a mais do que o ano anterior e vendemos 39%. Abatida a inflação do período, que ficou em 8%, temos 31% de saldo, informa.
Andrade acredita que o plano de compras em seis vezes sem entrada e sem juros, oferecido pela loja, tenha garantido o sucesso das vendas. Os artigos de inverno entraram nesse volume de comercialização.
O comerciante Igarassu Louzada, que produz e vende moda masculina, esperava vender pelo menos 20% a mais do que no ano passado. Consegui atingir essa meta e acredito que a maioria dos comerciantes locais também, comentou.
Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Sinézio Scudeler, diz que o setor não tem motivos para comemorar. Ele fez um levantamento paralelo entre os comerciantes e chegou à conclusão de que aqueles que pensaram ter aumentado as vendas, na verdade empataram e até diminuíram seus negócios.
Ele explicou que a maioria esperava empatar com as vendas de 98. Vender mais não significa tirar estoque da prateleira, mas sim ter lucro real e isso não aconteceu. Scudeler argumentou que há alguns anos as lojas começavam a vender bem uma semana antes de datas fortes para o setor, como o Dia das Mães e dos Pais. Hoje só podemos contar com a antevéspera e a véspera e ainda assim não atingimos nossas metas.
Ele disse que os supermercados informaram queda de 10% nas vendas no período e apontou o desemprego e os baixos salários como responsáveis pela estagnação do comércio em geral.
Scudeler citou outros indicadores que confirmam os poucos negócios gerados pela cidade. Um deles seria a baixa negociação das salas comerciais do edifício Fuganti e a ausência de interessados em locar o prédio da antiga Mesbla, fechada há cerca de seis meses. Junte-se a isso o aumento de tarifas públicas, poupança menor e queda no poder aquisitivo do aposentado e chegamos à situação difícil que se apresenta, conclui.





