Guto Rocha
De Londrina
A comercialização da safra de trigo este ano está mais ágil, com maior pressão de venda pelos produtores. Isso tem dado tranquilidade aos moinhos que compram de forma escalonada, evitando carregar estoques. Segundo o gerente de comercialização da Valcoop, em Londrina, Ermelino Nogueira, a descapitalização dos produtores os obriga a vender a colheita rapidamente.
A engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Vera da Rocha Zardo, disse que 73% da área plantada (720 mil hectares) no Paraná foi colhida. Vera afirmou que 36% do total da safra, ou 500 mil toneladas já foram comercializadas. A estimativa inicial do Deral apontava para uma produção de 1,53 milhão de toneladas, mas problemas climáticos reduziram em 7,5%, ou 1,41 milhão de toneladas. ‘‘Mas estes números serão reavaliados, podendo haver nova redução por causa da estiagem que atingiu o Paraná.
Segundo o gerente de compra de trigo nacional da Santista Alimentos, Eloy Gomes, outro fator que está agilizando a comercialização da safra é a queda do preço do trigo argentino, e a proximidade da entrada da próxima safra da Argentina. Um trade de uma corretora de São Paulo, que preferiu não se identificar afirmou que a tonelada do trigo argentino para entrega em dezembro e janeiro está cotada a US$ 104,00 FOB. Já o produto argentino disponível da safra remanescente é cotado a US$ 132,00.
Gomes observou que isso agilizou a comercialização da safra nacional, e que em apenas um mês foram negociadas 500 mil toneladas. Este volume inclui as vendas antecipadas (cerca de 200 mil t e 300 mil t desde o início da colheita). ‘‘Isso é suficiente para cerca de um mês e meio de moagem’’, comentou.
O gerente de compras da Santista afirmou que a qualidade do trigo do Paraná este ano está inferior ao de anos anteriores. ‘‘Historicamente o trigo do Oeste e Norte do Paraná são de excelente qualidade, mas agora houve um problema com a força do glúten’’, comentou. Segundo ele, este problema faz com que os moinhos reduzam a compra do trigo nacional em benefício do trigo argentino, para fazer mistura.
O gerente de comercialização de uma cooperativa do Oeste do Paraná que não se identificou afirma que na região os produtores estão sendo orientados a evitar a venda do produto. ‘‘O volume de oferta este ano é menor e estamos apostando em uma alta dos preços até a entrada da safra argentina’’, afirmou.

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