Vendas do setor industrial caem 11,82%
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segunda-feira, 12 de maio de 2003
Alaor Barbosa<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A indústria registrou em março a pior queda mensal em termos de vendas nos últimos oito anos, conforme dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a CNI, as vendas reais dessazonalizadas (descontadas os efeitos da inflação e desconsiderados os feriados de Carnaval) registraram queda de 11,82% em relação a fevereiro. ''Mesmo considerado que esse número está exagerado por questões metodológicas devido aos feriados de Carnaval, a queda foi muito elevada'', observou o economista da CNI, Flávio Castelo Branco.
A entidade divulga esse indicador, com ajuste sazonal, desde 1995. Em relação a março de 2002, as vendas ficaram estáveis (aumento de 0,04%) e o acumulado no trimestre registra aumento de 4,57%. Castelo Branco considera o comportamento ''coerente'' com as medidas adotadas pelo Banco Central, que elevou os juros da taxa Selic para 26,5% ao ano, além do aumento dos recolhimentos compulsórios sobre os depósitos bancários, que reduziu a disponibilidade de crédito.
''Todos os indicadores referentes a março reforçam a indicação de desaquecimento da indústria'', comentou o técnico da CNI. Ele observou que a utilização da capacidade instalada, por exemplo, caiu para 79,8% em março, registrando a quinta queda consecutiva, desde outubro de 2002, quando estava em 81,5%. ''Desde que o Banco Central começou a aumentar os juros, a taxa de ocupação na indústria caiu'', comentou.
Além disso, as horas trabalhadas na indústria em março ficaram 4,05% abaixo do nível registrado em fevereiro. No trimestre, esse indicador registrou aumento de 1,69% (em relação ao mesmo período de 2002), enquanto os salários líquidos reais caíram 7,74% no mês e 6,66% no acumulado no trimestre. Apenas o nível de emprego apresentou resultados melhores, na pesquisa da CNI, com aumento de 0,07% em relação a fevereiro e 1,18% no acumulado do ano. ''As indústrias parecem estar fazendo o reajuste através da redução dos salários e menos pelas demissões, que têm custos elevados'', comentou Castelo Branco.
Na avaliação da CNI, ''se nada for alterado'', é pouco provável que o País encerre 2003 com o Produto Interno Bruto (PIB) registrando aumento de 2,5%, como prevê o governo. A entidade está trabalhando com a estimativa de aumento de 1,8% a 2,0% para o PIB este ano e de 1,6% a 1,8% para o crescimento da indústria.
O mais provável, porém, é que essas previsões sejam rebaixadas em junho, quando a CNI deverá divulgar novas previsões. ''Para registrar um PIB de 2,5%, a economia deveria registrar um crescimento muito forte no segundo semestre e isso implicaria grande redução dos juros'', comentou. ''Até agora, porém, o Banco Central tem sido muito conservador na política monetária.''
Os únicos segmentos com boas taxas de crescimento são os vinculados às exportações, disse Castelo Branco. Ele considera, porém, que esses setores não conseguirão beneficiar toda a indústria, pois as exportações representam parcela pequena da produção industrial. A seu ver, o que alavanca a indústria é a recuperação do poder de compra da população. ''A agroindústria é o único segmento que está se beneficiando do forte aumento das exportações'', observou.


