A performance positiva que o setor de máquinas agrícolas automotrizes vem registrando este ano não deve ser prejudicada pelas quedas nas bolsas e a alta dos juros. A avaliação é do vice-presidente da Divisão de Máquinas Agrícolas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Pérsio Pastri. ‘‘O crescimento nas vendas este ano é muito bom, e a previsão é de que este ritmo seja mantido’’, afirma Pastri.
Segundo dados da Anfavea, as vendas de máquinas agrícolas registraram um crescimento de 50,61% entre janeiro e outubro deste ano em relação ao mesmo período de 1996. As vendas este ano somam 17,9 mil máquinas, contra as 11,8 mil unidades comercializadas de janeiro a outubro de 1996. ‘‘As vendas de 1996 foram as piores de todos os tempos’’, observa Pastri, que também é vice-presidente da New Holland.
O otimismo do setor em relação à manutenção do ritmo das vendas se deve a dois fatores, segundo Pastri. O primeiro é a resolução número 2435 do Banco Central, que foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 21 de outubro passado. A medida estende até 30 de outubro do ano que vem a linha de crédito para compra de máquinas agrícolas, através do Finame, com juros pré-fixados em 14,5% ao ano, que pode ser paga em até cinco anos. ‘‘Quem compra máquina hoje pode pagar a última prestação em 2002 sabendo o juros que vai incidir sobre a compra. Não tem crise em Hong Kong ou na Bovespa que altere isso’’, comenta.
Outro fator que deve contribuir para o bom desempenho das vendas do setor, segundo Pastri, está na necessidade que o campo tem de renovar sua frota e garantir melhor produtividade. ‘‘O produtor sabe que para se manter competitivo é preciso investir em máquinas, em tecnologia’’, diz. O diretor da Anfavea afirma que a defasagem maior está na frota de colheitadeiras. A estimativa do setor é de que o Brasil conta com apenas 50,6 mil colheitadeiras, e cerca de 7,5 mil com mais de 20 anos de uso. ‘‘Assim é impossível ser eficiente e assegurar baixas perdas na colheita. O produtor está perdendo dinheiro e isso é inaceitável num mercado globalizado’’, observa.
Exportações O setor também vem apresentando bom desempenho nas vendas externas. Segundo Pastri, as exportações de máquinas agrícolas vem crescendo nos últimos três anos. Em 1995, as vendas externas do setor somaram US$ 448 milhões, em 96 as exportações resultaram R$ 582 milhões e este ano os negócios com o exterior já somam US$ 617 milhões. ‘‘As exportações em 97 deve superar os US$ 700 milhões’’, prevê Pastri.

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