Vendas do Paraná para Argentina caem 77%
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terça-feira, 02 de abril de 2002
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As exportações do Paraná para a Argentina tiveram queda de 77,4% entre janeiro e fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2001, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Apesar da retração acentuada, o advogado argentino especializado em câmbio, Enrique Gatti, que esteve ontem em Curitiba, acredita que os empresários brasileiros devem manter os negócios com o país vizinho. Para ele, basta que se tomem cuidados básicos para garantir o pagamento.
Gatti proferiu palestra sobre as consequências das mudanças cambiais na Argentina. O evento foi promovido pela Associação Comercial do Paraná (ACP) e a Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba (Aecic). Muitos exportadores do Brasil deixaram de receber o pagamento dos compradores argentinos. Desde o início do ano, quando a Argentina deixou de lado o sistema de paridade fixa e o peso se desvalorizou, os empresários argentinos vêm tendo muita dificuldade para quitar as dívidas, afirmou Gatti.
O importador argentino tinha um sistema organizado de pagamentos quando havia a paridade. Hoje, para pagar a mesma dívida, ele tem que dispor de muito mais, avaliou. Durante dez anos, o valor do peso era atrelado ao dólar. Com o fim da paridade, o dólar chegou a valer quatro pesos. Ontem a moeda norte-americanda estava cotada a 2,80 pesos.
De acordo com Gatti, se as indústrias argentinas não acharem produtos brasileiros para comprar, vão adquirir dos concorrentes. Alguém vai ter que suprir a indústria argentina. Se o Brasil sair do mercado, os concorrentes coreanos, chineses e japoneses vão entrar, disse.
Para que o exportador brasileiro continue fazendo negócios sem colocar em risco a própria saúde financeira, Gatti sugere algumas medidas. É preciso ver se o produto ainda vai ter competitividade na Argentina, por causa da desvalorização do peso, observou. Segundo ele, podem ser feitos vários tipos de contrato de crédito, para garantir o pagamento, mesmo que o comprador se torne inadimplente.
Segundo Gatti, é fácil para o exportador brasileiro cobrar os pagamentos atrasados.Segundo ele, basta uma consulta ao Banco Central da Argentina para saber como estão as finanças da empresa devedora. A partir disso, estabelecer conversas, através de um advogado experiente, sugeriu. Para ele, o exportador brasileiro precisa ter paciência, porque os empresários argentinos estão passando por uma grande mudança que dificultou o gerenciamento das companhias.


