Vendas do Dia das Crianças devem crescer, mas tíquete médio cai
Brinquedos e roupas seguem como prioridade para consumidores do Norte do Paraná; lojistas esperam aumento de procura no último dia
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sábado, 10 de outubro de 2026
Brinquedos e roupas seguem como prioridade para consumidores do Norte do Paraná; lojistas esperam aumento de procura no último dia

A intenção de presentear neste Dia das Crianças, data celebrada na segunda-feira (12), no mesmo dia do feriado de Nossa Senhora Aparecida, subiu de 43,3% em 2025 para 61,3% neste ano no Norte do Estado. Apesar da expectativa de mais vendas, o tíquete médio deve ser menor do que o do ano passado. O valor é de R$ 177,45, contra os R$ 197,22 registrados em 2025.
Mesmo com a redução, o tíquete médio regional continua acima da média paranaense, de R$ 171,32, Já a intenção de compra no Paraná avançou de 48,1% para 63,9% em 2026. Os dados foram divulgados pela Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), em parceria com o Sebrae/PR.
Assim como nos últimos anos, a preferência regional segue por brinquedos pagos à vista e sondados na internet, com a maioria dos pais e mães presenteando duas crianças.
As expectativas de comerciantes de Londrina se dividem entre boas e realistas quanto ao aumento no número de vendas nos dias que antecedem a data. Eles lamentam a queda recorrente de movimento nos últimos anos, visto que o meio on-line será o principal canal para a aquisição de presentes mais uma vez - com 55,8% das menções entre os entrevistados, ante as 44,8% no ano passado.
A decisão sobre o presente ficará principalmente com os adultos: 64,8% escolherão sozinhos o que comprar, 25,3% dividirão a escolha com a criança e 9,9% deixarão a decisão para os pequenos.
“Como a escolha dos presentes fica, na maioria dos casos, nas mãos dos adultos, é importante destacar a qualidade dos produtos, o custo-benefício e oferecer opções para diferentes faixas de preço. Criar kits e combinações de presentes também pode ser uma estratégia para atender às famílias que pretendem presentear mais de uma criança e ampliar as oportunidades de venda”, orientou a coordenadora de Comércio e Serviços do Sebrae/PR, Suelen Pedroso.
Brasileiro deixa para a última hora
Os brinquedos permanecem como a principal escolha dos consumidores, escolhidos por 59,8% dos entrevistados da região de Londrina. André e Adriana Herreiro são proprietários de uma loja de brinquedos no Camelódromo (centro). O casal informou que o produto mais procurado este ano é o squishy, macio, de apertar e vendido em formato de manteiga, pão e patas.
Anualmente, duas semanas antes do Dia das Crianças, os empreendedores contratam quatro funcionários temporários para atender a demanda. Porém, “a cada ano que passa o movimento diminui bastante, antes, essa época era muito movimentada mesmo”, contou André.
Adriana completou dizendo que “tudo está moderno, então os clientes compram tudo pela internet, e as próprias crianças só querem eletrônicos e celular. Nem brinquedos pedem mais, não querem mais brincar como antigamente, querem por um momento e depois já abandonam, dizem os pais”.
Os clientes têm gastado entre R$ 100,00 e R$ 150,00 na loja, se figurando como a segunda data comemorativa mais lucrativa após o Natal. Segundo a Fecomércio PR, a qualidade do produto é o fator que mais influencia a decisão dos consumidores da Região Norte, com 19,6% das citações. Em seguida, vem o preço baixo (18,5%), custo-benefício (16,3%) e promoções (10,9%). Finalizando a lista, estão os descontos (9,8%), preferência da criança (8,7%) e atendimento do vendedor (7,6%).
O dono lamentou a impossibilidade de abrir a loja no domingo (11) e no próprio Dia das Crianças, considerando que “o brasileiro sempre deixa pra última hora e seriam os melhores dias de venda”.
‘Criança feliz quando ganha roupa’
Roupas e calçados ganharam espaço este ano, como opção de 27,7% dos consumidores no ano passado e de 31,5% em 2026. Sócia-proprietária de uma loja de roupas infanto-juvenil no centro, Amany Nasser celebrou o aumento no número de vendas causado pela proximidade da data comemorativa. Ela atrelou o sucesso à chegada das coleções primavera-verão, divulgação em programas de televisão e mídias sociais, promoções e venda de peças “interativas”. “Esse ano, as meias malucas foram a febre. São estampas e acessórios que fazem a alegria das crianças e das mamães. As pessoas nos procuram porque sabem que vão encontrar o presente que cabe no orçamento delas, sempre temos uma boa procura nessa época”, informou, rindo ao dizer que “hoje, a criança também fica feliz quando ganha roupa”.
O valor médio gasto na loja tem sido R$ 50,00, o que satisfaz a dona. “Embora o tíquete médio seja menor, a gente atende mais clientes, porque nessa época vende-se mais presentes para sobrinhos, afilhados, etc, ao contrário de dias normais do mês, nos quais os pais vêm comprar roupa para a estação”, pontuou Nasser.
O crescimento da intenção de presentear as crianças neste ano vem acompanhado de maior atenção ao orçamento, avaliou o coordenador de Desenvolvimento Empresarial da Fecomércio PR, Rodrigo Schmidt. “O número de pessoas que presentearão neste ano aumentou significativamente, mas houve retração no tíquete médio. A migração para meios de pagamento à vista (65,5%) e a pesquisa de preços on-line, feita por 74,4% dos consumidores, evidenciam um consumidor mais racional, que evita os juros do parcelamento e o endividamento.”
Segundo Schmidt, o sucesso das vendas do varejo paranaense nesta data dependerá de estratégias de custo-benefício e qualidade que dialoguem com famílias dispostas a presentear, mas com orçamento ainda restrito.
Para aproveitar a movimentação da data, Suelen Pedroso recomendou que os lojistas se atentem à comunicação das ofertas. “É importante intensificar a divulgação de preços e promoções, investir na presença digital e reforçar a comunicação nos dias que antecedem a data, quando se concentra a maior parte das compras.”


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


