Vendas do Dia das Crianças animam empresários
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sábado, 11 de outubro de 2003
Vera Dantas<br> Agência Estado 
São Paulo - Brinquedos que sumiram das prateleiras das lojas nesta última semana que antecedeu o Dia da Criança, e principalmente lançamentos sofisticados, recheados de tecnologia e de preço elevado são as grandes apostas do varejo e da indústria para este fim de ano. Produtos como a Barbie Lago do Cisne, com itens que custam até R$ 900 ou lançamentos como o videogame N-Gage, da Nokia, de alta tecnologia e com um celular acoplado, que deve sair por volta de R$ 1.700 são tidos como sucessos certos.
''No Natal, os pais com o 13º no bolso costumam ser mais generosos nos gastos com brinquedos do que no Dia da Criança'', dizem os lojistas. ''Mas, este ano, o que mais deve dar impulso às vendas são as sinalizações de aquecimento da economia'', diz o diretor da rede PBKids, com 35 lojas, Carlos Eduardo Cimermann. Não é uma opinião isolada. A ampliação dos prazos do crediário, os juros mais baixos, somada à percepção geral de que nos próximos dois meses a retomada estará clara têm animado o setor.
Curva ascendente No ano passado, o clima de insegurança com a mudança de governo era um fato, lembra o presidente da Estrela, Carlos Tilkian. ''Este ano a curva é ascendente. O ano começou mal, mas o cenário já mudou'', diz. A Estrela prevê vender 15% a mais neste fim de ano em relação ao mesmo período em 2002. A previsão da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), que de janeiro a agosto amargou uma queda de vendas de 30%, é mais conservadora.
''Devemos ter um faturamento 5% superior ao Natal passado. ''Mas, sem dúvida, temos um consumo reprimido e um crediário mais facilitado que deve empurrar as vendas'', diz o presidente da Abrinq, Synésio Baptista da Costa.
Cimermann, da PBKids, prevê um crescimento real de 15% em relação ao Natal passado e acredita que seu tíquete médio de vendas subirá de R$ 75 do Dia da Criança para cerca de R$ 100 no Natal. Ele deve ser puxado por alguns produtos como a boneca Miracle Baby, da Mattel, com preço médio de R$ 329, pela Barbie Meu Tamanho de R$ 700 e pelos itens mais caros da linha de bonecas Polly da Mattel. ''São produtos muito cobiçados pelas meninas.''
Cavalheiros do Zodíaco O brinquedo best-seller, aquele que vira febre entre a meninada, não apareceu este ano no Dia da Criança e, por enquanto, nenhum lançamento promete estourar no Natal, como único objeto de desejo. Melhor para a indústria que ganha com o retorno de vários lançamentos e para o varejo que não perde vendas por não conseguir repor itens esgotados.
Mas alguns relançamentos, que estouraram no passado, são candidatos novamente a desaparecer nas prateleiras no Natal. A linha de bonecos Cavalheiros do Zodíaco, da Bandai e que será importada pela Long Jump, é um exemplo. ''O seriado está voltando à tevê e o brinquedo vai despertar o interesse de uma nova geração e virar objeto de coleção para a molecada que hoje tem entre 15 e 17 anos'', prevê o diretor da rede Ri Happy, Ricardo Sayon. Ele encomendou 15 mil peças e acredita que o produto desapareça bem antes do Natal. Sayon também aposta no bom desempenho dos Teletubbies, porque o desenho da turma de bonecos para crianças pequenas está sendo reapresentado. Além dos lançamentos anunciados pela mídia, os personagens licenciados são cada vez mais uma garantia de vendas.
A Mattel, por exemplo, entra com a linha de dinossauros Barney, personagem que frequenta o canal Discovery Kids e deve chegar no fim do mês às lojas com preços de R$ 30 a R$ 130. A empresa, que domina o mercado de importados, espera vender 20% a mais neste Natal na comparação com o anterior. ''Aumentamos os pontos-de venda de 2.800, em 2002, para cerca de 3.500 este ano e investimos muito em promoções,'' diz a gerente de marketing da Mattel, Cristina Lara.
Celular em alta A venda facilitada em prestações de até 10 vezes sem juros pode contribuir bastante para saída de produtos de preço mais elevado neste Natal, na avaliação do gerente de compras da Lojas Americana, Roberto Rangel. ''Uma galeria da Polly, que custa perto de R$ 200, fica acessível no crediário para um público de menor poder aquisitivo. É uma vantagem que não contávamos no ano passado'', diz.
Redes voltadas para um consumidor de maior poder aquisitivo, como a Brinquedos Laura, apostam ainda mais em hits de alta tecnologia como o videogame N-gage da Nokia, que deve custar entre R$ 1.600 e R$ 1.700. O diretor da empresa, Eduardo Jorge, acredita que o brinquedo, que pode ser acoplado com um chip de uma operadora para virar um celular, deve ser o sonho de consumo de 10 entre 10 meninos. Celulares, queixam-se os lojistas, ocupam cada vez mais o espaço dos brinquedos na escolha das crianças maiores. ''Produtos que incorporam tecnologia e reproduzem o dia-a-dia dos adultos, são sempre atrativos'', diz o diretor da Brinquedos Laura. Tanto é, observa, que os lap tops da Xuxa, Barbie e outros devem ter grande saída no Natal.
Os castelos medievais, que custam mais de R$ 100, também são colocados como itens de sucesso e já estão nos estoques das empresas, além dos clássicos videogames, bicicletas e carrinhos motorizados ou de controle remoto. A maioria reforçou as encomendas de Dia da Criança já de olho no fim do ano. A PBKids, por exemplo, já comprou 60% dos produtos que pretende comercializar, principalmente importados. ''Não quero correr riscos com greves de última hora no porto'', diz Cimermann. A Ri Happy comprou 50% a mais do planejado para vender em outubro. ''É uma sobra calculada do Dia da Criança'', diz Sayon.


