Rio e São Paulo - O melhor janeiro do comércio varejista em sete anos, revelado ontem em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o mercado doméstico iniciou 2008 em forte aquecimento. As vendas do varejo aumentaram 1,8% em relação a dezembro e 11,8% na comparação com igual mês do ano passado, a maior variação para o primeiro mês do ano desde o início da série da pesquisa, em 2001, reforçando o ciclo de indicadores positivos de atividade econômica.
A expectativa de economistas e do técnico do IBGE, Reinaldo Pereira, é de continuidade de forte expansão do setor este ano. ''A conjuntura econômica continua justificando esses números'', disse Pereira, acrescentando que ''o IBGE não faz previsões, mas os resultados mostram que a tendência do varejo é de crescimento''.
O técnico acredita que as queimas de estoque e liquidações de início de ano impulsionaram as vendas em janeiro, mas disse que a manutenção de fatores importantes para o varejo, como crédito farto e renda em alta, continuam exercendo influência positiva sobre o setor.
''Não há nenhum fator que mude essa tendência ao crescimento, por enquanto não vemos reflexo da crise dos Estados Unidos, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) mostram crescimento dentro da expectativa, a inflação que parecia acelerar está em patamar mais baixo, então as variáveis de conjuntura não são diferentes do observado em 2007'', disse Pereira.
Todas as atividades pesquisadas pelo IBGE mostraram crescimento nas vendas ante igual mês do ano passado. O maior impacto no resultado total foi dado por hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O grupo tem forte peso na pesquisa e registrou expansão de 8,4% nessa base de comparação.
A segunda principal influência veio de móveis e eletrodomésticos, que prossegue mostrando fôlego surpreendente, com crescimento de 16%, uma forte aceleração sobre o aumento de 12% de dezembro ante igual mês do ano anterior. Essas duas atividades, juntas, responderam por 6,7 ponto porcentual, ou 57% do aumento total de 11,8% do comércio varejista.

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