Vendas do comércio recuaram 0,28%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Rio Os aumentos de preços foram os principais responsáveis pela queda de 0,28% nas vendas do comércio varejista em novembro do ano passado ante igual mês de 2001, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve redução no indicador acumulado do ano até novembro (-0,16%) ante igual período do ano anterior e também em 12 meses (-0,47%).
O técnico do departamento de comércio do IBGE, Nilo Lopes, avalia que o reajuste nos preços de vários produtos, especialmente os alimentícios, foi o principal fator responsável pela queda nas vendas no varejo em novembro. Ele lembrou que a inflação no mês foi a maior do ano passado e pressionou para baixo o resultado do segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,50%), que tem maior peso na pesquisa.
Os aumentos de preços tiveram impacto negativo também sobre as vendas de combustíveis e lubrificantes, que desaceleram o ritmo de crescimento em novembro (4,15%) após altas de 9,01% em outubro e de 10,91% em setembro. A elevação dos juros, por outro lado, ampliou a queda nas vendas de móveis e eletrodomésticos, de -0,18% em outubro para -1,86% em novembro.
Crescimentos modestos foram registrados nos segmentos de tecidos, vestuário e calçados (0,45%) e em demais artigos de uso pessoal e doméstico (que inclui papelaria e informática, com expansão de 0,44%). As vendas de veículos, motos e partes que são investigados mas não entram no cálculo final da pesquisa registraram queda de 14,17%.
Apesar da redução nas vendas da maior parte dos segmentos pesquisados, todos apresentaram aumento na receita nominal de vendas em novembro. Houve crescimento geral de 12,79% na receita ante novembro de 2001, com destaque para combustíveis e lubrificantes (18,16%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (13,95%). No ano, a receita acumulou até novembro alta de 7,04%.
Lopes disse que não acredita que o comércio tenha registrado uma ''reação forte'' em dezembro, cujos dados serão divulgados em fevereiro pelo IBGE. Ele acredita que as vendas no varejo devem fechar 2002 estáveis em relação ao ano anterior ou até mesmo com uma pequena queda, em torno de 0,5%.
Lopes disse que a estabilidade ocorrerá na comparação com um ano que já foi muito ruim para o comércio, que em 2001 registrou queda acumulada de 1,59%. Segundo ele, a estagnação das vendas do varejo no ano passado ocorreu devido a um conjunto de fatores negativos para o setor, como aumento dos juros e da inflação, incertezas em relação ao futuro da economia, aumento do desemprego e queda na renda dos trabalhadores.


