Curitiba - As vendas no comércio paranaense, em 2004, tiveram crescimento de 11,29%. Esse foi o melhor desempenho dos últimos quatro anos. Em 2001 e 2002, houve queda de 0,89% e 0,69%, respectivamente, e em 2003, o aumento nas vendas foi de apenas 0,87%. Como reflexo desse desempenho positivo, o nível de emprego cresceu 9,54%, o que representou a abertura de 35.049 novos postos de trabalho. A pesquisa foi divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico (Dieese) em parceria com a Federação dos Trabalhadores no Comércio e Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba.
Para o economista do Dieese, Cid Cordeiro, o aumento das vendas é resultado da recuperação da economia, da queda na taxa de juros e do aumento da renda do trabalhador, depois de oito anos consecutivos de queda. A redução da inadimplência, no ano passado, fez o consumidor voltar a ter acesso ao crédito e, com isso, as vendas a prazo cresceram 22%. Apesar de permanecer em patamar elevado, a taxa média de juro para crédito pessoal caiu de 91,40%, em 2003, para 74,15%, no ano passado.
A outra explicação para o aumento no crédito, segundo Cordeiro, foi o aumento nas vendas de bens de maior valor como móveis e eletrodomésticos, que cresceram 29,42%. Esse desempenho foi melhor no Interior do Estado, onde a principal atividade econômica a agroindústria registrou crescimento significativo. As vendas no Natal, que cresceram 15,32% em relação a 2003, contribuíram para o resultado final.
A maior geração de emprego no comércio paranaense também se deu no Interior, que concentrou 67,3% das novas vagas. Foram contratados 23.575 trabalhadores, o que representou um crescimento de 10,14% em 2004 na comparação com o ano anterior. A estimativa do Dieese é que o número de trabalhadores com carteira assinada no comércio do Paraná é de 402.537, representando 7,26% do contingente brasileiro.
A tendência para 2005, adiantou Cordeiro, é de que as vendas no comércio continuem crescendo, apesar da elevação na taxa de juros neste início de ano. O otimismo se baseia na expectativa de aumento maior na renda dos trabalhadores. O que deve se inverter, ponderou o economista, é que as vendas no comércio devem ter melhor desempenho, este ano, na Região Metropolitana de Curitiba.
Pesam nessa avaliação o aumento nas vendas de bens de consumo (gêneros alimentícios e vestuário), com a perspectiva de melhoria na renda familiar. Já no Interior, os consumidores devem reduzir os gastos, já que as projeções de safra e de queda na cotação das principais commodities agrícolas não são animadoras.

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